Plantão Jamildo.com | Publicado em 27/02/2026, às 08h45
O debate sobre uma possível federação entre PT e PSOL para as eleições de 2026 ganhou novos contornos com o posicionamento de lideranças nacionais e de grupos internos das duas siglas. Em Pernambuco, a ala ligada à vereadora do Recife Jô Cavalcanti, associada ao ministro Guilherme Boulos, defende a formalização da aliança.
Em contato com a reportagem, a corrente que integra a articulação de Jô sustenta que a federação com o PT pode fortalecer o campo progressista e ampliar a competitividade eleitoral no pleito de outubro. A vereadora é pré-candidata ao Senado e, segundo aliados, a composição poderia inseri-la como alternativa na chapa da Federação Brasil da Esperança.
Pesquisas de intenções de votos indicam que Jô tem registrado entre 4% e 5% das intenções de voto em cenários estimulados, como na última Datafolha. A vereadora surge ao lado de nomes como o ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho (Republicanos), o senador Humberto Costa (PT) e a ex-deputada federal Marília Arraes (Solidariedade).
Recentemente, em Brasília, Jô se reuniu com Silvinho e Guilherme Boulos. A agenda foi interpretada por interlocutores como sinal de articulação em torno da federação e da construção de um cenário eleitoral, principalmente pelo tema em comum, que é o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O tema deve ser apreciado formalmente no próximo dia 7 de março, durante reunião do Diretório Nacional do PSOL, instância responsável por deliberar sobre a política de alianças da legenda.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, da mesma ala do presidente Lula, defendeu publicamente a formação de uma federação entre PT e PSOL. O convite foi apresentado em reunião das executivas nacionais das duas siglas, em Brasília.
Em entrevista ao portal Metrópoles, Edinho afirmou que o país vive “um momento histórico de definição de futuro” e que a organização de blocos partidários terá papel relevante na condução da agenda política. Para ele, uma federação comprometida com um programa comum seria “um grande acerto”.
O dirigente destacou que a proposta preserva a autonomia do PSOL, ponto que tem gerado divergências internas. Parte da militância avalia que a aliança pode limitar candidaturas próprias nos estados ao priorizar nomes do PT.
A corrente do PSOL que fechou posição favorável à federação é a Revolução Solidária, que defende que a composição inclua também PCdoB, PV e Rede Sustentabilidade.
Atualmente, o PSOL integra federação com a Rede, o PT compõe a Federação Brasil da Esperança com PCdoB e PV.
“O que estamos propondo ao PSol é isso, uma federação que se mova por uma agenda para o Brasil, sem que o partido perca sua autonomia. A direita está se organizando em federações, temos que fazer o mesmo, a história exige esse movimento”, declarou Edinho. Ele acrescentou que pautas como jornada de trabalho, tarifa zero, transição energética e fortalecimento do SUS não podem ser enfraquecidas.
Nos bastidores do PT, a proposta também divide opiniões. Parte da direção considera a medida estratégica para 2026, enquanto outra ala avalia que as divergências internas no PSOL podem dificultar a consolidação do acordo.
O debate sobre a federação se entrelaça com o cenário da eleição ao Executivo Estadual. O PSOL já lançou a pré-candidatura do ex-vereador Ivan Moraes ao Governo do Estado, que faz parte de outra tendência dentro da legenda.
Caso PT e PSOL formalizem uma federação, as legendas terão de atuar como um único bloco também nas disputas majoritárias, o que, na prática, restringe a possibilidade de candidaturas próprias simultâneas ao governo estadual, ou seja, apenas um nome poderia representar a federação ou o grupo teria de optar pelo apoio a outra candidatura.
O PT, por sua vez, ainda não definiu posição em Pernambuco. A legenda está dividida entre setores que defendem aproximação com a governadora Raquel Lyra (PSD) e grupos que apoiam o prefeito do Recife, João Campos (PSB), provável candidato ao governo em 2026.
A federação partidária é um instrumento que permite a dois ou mais partidos atuarem de forma unificada por, no mínimo, quatro anos. Diferentemente das coligações eleitorais, a federação exige alinhamento nacional, estadual e municipal, com programa comum, bancada única no Congresso e decisões compartilhadas ao longo de sua vigência.
As legendas buscam sobrevivência em federação para driblar a cláusula de barreira em 2026. A lei estabelece que os partidos precisarão eleger 13 deputados federais no ano que vem ou ter 2,5% dos votos válidos para Câmara e 1,5% em pelo menos nove estados. Caso esse patamar não seja atingido, as siglas perderão acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda em rádio e televisão.
O modelo foi aplicado pela primeira vez nas eleições gerais de 2022 e passou a valer também nas eleições municipais de 2024. A regra já levou à extinção, seja por fusão ou incorporação, de PPL, PRP, PHS, Pros, PSC, Patriota e PTB.
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