Otávio Gaudêncio | Publicado em 14/07/2026, às 11h32
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, na segunda-feira (13), que o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) está proibido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro por período de 90 dias.
A decisão de Moraes foi motivada pelo fato de o senador ter desrespeitado medida cautelar que proíbe que o ex-presidente utilize as redes sociais diretamente ou por meio de terceiros. A violação aconteceu após o parlamentar ler carta escrita por Jair para seus seguidores.
Flávio Bolsonaro leu o texto logo após visita à casa de seu pai, que teve prisão domiciliar mantida por tempo indeterminado. "Ele escreveu uma carta aos brasileiros que eu vou fazer a leitura dela hoje, nesse sábado, às 12h30, no meu canal do YouTube", disse o senador. O escrito também foi publicado no Instagram, tanto por Flávio como por aliados, a exemplo de Gilson Machado Neto (Podemos).
Na carta, Jair Bolsonaro endossa apoio ao pré-candidato a presidente do Partido Liberal. Para o ministro do Supremo, a ação também configura instrumento de promoção política e é equivalente a pedido explícito de voto, podendo configurar propaganda eleitoral antecipada. O relator do processo ainda pediu que o Ministério Público eleitoral avaliasse o caso.
O ministro da Suprema Corte ainda afirmou que o senador é reincidente na conduta. Ele citou caso de 3 de agosto de 2025, quando o ex-presidente participou por telefone de manifestação política em Copacabana, atendendo à ligação feita pelo pré-candidato.
Alexandre de Moraes ordenou 48 horas para que Flávio Bolsonaro se manifeste sobre a acusação de violação à ordem judicial, além de comprovar se o ex-presidente tinha ciência da divulgação do material nas redes sociais.
Em resposta à decisão monocrática do STF, Flávio Bolsonaro apontou diferenças entre os tratamentos a Jair Bolsonaro e aos dados a Lula, quando ainda preso. "O Lula podia fazer tudo. Deu entrevista, recebia visita todos os dias sem problema nenhum. Qual o critério agora com o presidente Jair Bolsonaro?", questionou.
Segundo o senador, os filhos do ex-presidente só podem visitá-lo às quartas-feiras e aos sábados por apenas duas horas, enquanto os advogados de Jair estão autorizados a visitá-lo uma vez por dia, exceto sábado e domingo, por 30 minutos.
Ele ainda disse que entrou em contato com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Federal para conseguir permissão para acessar a casa do presidente em exercício da advocacia. "Tô inscrito nos autos para fazer a sua defesa. Sou advogado do presidente Bolsonaro e estou nos autos. O Alexandre de Moraes ignorou", afirmou.
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