Pernambuco elabora diretrizes para ensino sobre Inteligência Artificial e Educação Digital nas redes pública e privada

Cynara Maíra | Publicado em 08/06/2026, às 13h56 - Atualizado às 14h25

- Divulgação SEE
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Com a popularização e uso cotidiano de diversas tecnologias no mundo atual, a Secretaria de Educação de Pernambuco instituiu o Currículo da Educação Digital e Midiática (Cedim-PE), que estabelece diretrizes para o ensino de computação, cidadania digital e inteligência artificial nas escolas das redes pública e privada de Pernambuco. A portaria que oficializa a medida saiu na quarta-feira (3), no Diário Oficial do Estado.

O Cedim-PE baseia-se na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e na Política Nacional de Educação Digital, de olho em estimular o entendimento sobre o pensamento computacional, operação física de dispositivos, proteção de dados e no letramento midiático para que estudantes saibam identificar notícias falsas na internet.

O novo currículo adota o modelo da transversalidade, inserindo as habilidades tecnológicas dentro de disciplinas tradicionais como Matemática, Linguagens e Ciências, sem criar uma matéria isolada na grade horária.

O material detalha o aprendizado progressivo da Inteligência Artificial (IA) fundamentado em cinco eixos técnicos, que abrangem desde a percepção e aprendizagem de máquinas até o debate ético sobre vieses algorítmicos, impactos sociais e privacidade.

Especificamente para uso da IA, o conteúdo prevê o estabelecimento de três competências: 

Essa estruturação se baseia nas diretrizes internacionais do Marco Referencial de Competências em IA para Professores da UNESCO.

Temas devem entrar da educação infantil até o ensino médio

A ideia do currículo é que os temas entrem na realidade dos alunos desde a educação infantil, mas com aplicação prática respeitando o amadurecimento cognitivo dos estudantes em cada etapa escolar.

Na educação infantil, os professores utilizarão dinâmicas lúdicas para introduzir o sequenciamento lógico, orientando as famílias sobre o uso equilibrado de telas. No ensino fundamental, as atividades ganham suporte de laboratórios móveis escolares, obedecendo às restrições legais para o uso de smartphones pessoais em sala de aula.

Já no ensino médio, o foco passa a ser o protagonismo juvenil na criação de ferramentas digitais e na análise crítica de modelos complexos de inteligência artificial, como as tecnologias de Machine Learning e Deep Learning, responsáveis pelo desenvolvimento das IAs. 

O secretário estadual de Educação, Gilson Monteiro, defendeu que a medida atende a uma demanda imediata de adequação curricular frente às transformações tecnológicas contemporâneas. A pasta coordenará programas de formação continuada para o corpo docente em regime de colaboração com a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime-PE), que atuou como parceira na construção do documento ao longo de 2025.

Para não sobrecarregar os docentes com matérias que não fazem parte de suas formações originais, a Secretaria de Educação de Pernambuco estabeleceu a obrigatoriedade de realizar um mapeamento prévio dos níveis de saberes digitais preexistentes de cada professor para entender como aplicar esses conhecimentos em formações.  A partir desse diagnóstico baseado em dados, a rede criará trilhas de formação continuada personalizadas.

Além disso, a implementação estabelece um novo paradigma de avaliação qualitativa na rede de ensino. Conforme as regras da instrução normativa da secretaria, as notas classificatórias tradicionais cederão espaço para a análise formativa de portfólios, observação ativa em sala de aula e a produção discente de mídias como podcasts, blogs, vídeos e mapas conceituais.

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