Cynara Maíra | Publicado em 07/07/2026, às 12h19 - Atualizado às 13h44
Nesta terça-feira (07), o superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Francisco Alexandre, apresentou um estudo técnico que atesta a viabilidade econômica e social do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina.
Durante o encontro na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), no Recife, a Sudene indicou que enviará o material para o Tribunal de Contas da União (TCU) em resposta às exigências da Corte, que barrou novos aportes federais no ramal que liga Salgueiro ao Porto de Suape. Esse relatório será um dos embasamentos para o julgamento da quarta-feira da próxima semana (15), que avaliará em definitivo a questão do lote de 73 km para ferrovia.
A Sudene assegurou no material que o investimento de R$ 5 bilhões garante a construção dos 521,5 quilômetros planejados para o território estadual.
Um mês atrás, o TCU suspendeu a criação de novos compromissos financeiros públicos na obra por falta de dados técnicos atualizados. Sob a relatoria do ministro Jhonatan de Jesus, o tribunal cobrou a comprovação das vantagens socioeconômicas e ambientais do projeto ferroviário.
Jorge Bastos, presidente da estatal que cuida da obra, a Infra S.A., indicou otimismo para o julgamento e afirmou que assinará o contrato de execução do trecho na sede da Fiepe após o aval do TCU.
Para tentar reverter o bloqueio dos recursos, a Sudene inseriu no relatório o cálculo do Valor Social Presente Líquido (VSPL) estimado em R$ 4,76 bilhões.
O indicador mede a riqueza para a sociedade ao longo de 30 anos, dado que o TCU alegava não constar na proposta original. Francisco Alexandre declarou que o investimento trará um acréscimo de 2,7% ao Produto Interno Burto (PIB) de Pernambuco, um saldo positivo de R$ 2,5 bilhões nas contas públicas.
Os dados técnicos apontam que a Transnordestina retirará mais de 1.200 caminhões por dia do fluxo da rodovia BR-232, com um planejamento entre 18 e 24 toneladas de gesso, grãos, fertilizantes, combustíveis e produtos siderúrgicos no transporte de cargas. O escoamento total da capacidade de carga deve ocorrer em um prazo de 30 anos. O superintendente detalhou que as atividades começarão com 8% da capacidade prevista e 30% dos contratos assinados.
A autarquia também projeta a criação de 13 mil empregos diretos durante a fase de obras e outros 9.600 postos de trabalho quando a linha ferroviária iniciar a operação regular.
O ramal Salgueiro-Suape saiu do contrato de concessão original em dezembro de 2022 e retornou ao plano federal em 2023 por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Veja toda história da Transnordestina nesse infográfico interativo:
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