Cynara Maíra | Publicado em 19/01/2026, às 07h24 - Atualizado às 07h57
A Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) realiza a primeira Assembleia Extraordinária de 2026 na terça-feira (20). O encontro acontece a partir das 9h no Hotel Canariu’s, em Gravatá, no Agreste, e reúne prefeitos e prefeitas de todo o estado.
A pauta principal será a concessão dos serviços da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). A governadora Raquel Lyra (PSD) confirmou presença no evento para detalhar o processo aos gestores municipais.
O presidente da Amupe, Marcelo Gouveia (Podemos), adiantou que o foco será explicar como ocorrerão os investimentos e os repasses de recursos para as prefeituras. A expectativa dos gestores é sobre a distribuição dos valores arrecadados no leilão de dezembro.
O leilão parcial da Compesa definiu investimentos com cerca de R$ 19 bilhões para os próximos 35 anos em dois blocos regionais.
O consórcio formado por Acciona e BRK Ambiental venceu o lote Pajeú, que abrange 151 municípios, já o fundo Pátria Investimentos arrematou o bloco Sertão, composto por 24 cidades.
As propostas vencedoras somaram cerca de R$ 4,2 bilhões em outorgas. Esse valor funciona como uma espécie de entrada paga pela iniciativa privada com divisão entre o Estado e os municípios.
Segundo o secretário de Recursos Hídricos e Saneamento, Almir Cirilo, a divisão dos recursos considera critérios populacionais. Os gestores municipais devem aplicar a verba obrigatoriamente em investimentos de infraestrutura.
O modelo de concessão mantém a Compesa como uma empresa pública. A estatal continuará responsável pela produção de água e pela venda do insumo tratado às concessionárias.
As empresas privadas assumem a operação da distribuição de água, além da coleta e do tratamento de esgoto nos municípios. A meta contratual prevê atingir 99% de cobertura no abastecimento de água e 90% de atendimento por rede de esgotamento sanitário até 2033.
Em discurso após o leilão, Raquel Lyra classificou a concessão como necessária para enfrentar desigualdades históricas.
"Hoje é o início de uma nova etapa. Ainda há cidades que nunca tiveram água tratada e famílias que precisam escolher entre comprar água ou comida. Isso é inadmissível", declarou a governadora na ocasião.
As concessionárias terão obrigações iniciais como apresentar um plano de combate à intermitência no prazo de até 180 dias após o início das operações. O documento deverá priorizar os municípios que vivem em regime de racionamento.
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