Mendonça Filho espera manter diálogo com novo ministro da Justiça sobre PEC da Segurança

Mendonça diz confiar na continuidade do diálogo com o novo ministro e que texto pode ser ajustado sem perder foco no combate ao crime organizado

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 15/01/2026, às 15h27

Deputado federal Mendonça Filho
Deputado federal Mendonça Filho - DIVULGAÇÃO/ CAMARA DOS DEPUTADOS

Mendonça Filho espera manter diálogo institucional com novo ministro da Justiça

Relator afirma que substitutivo prevê medidas mais duras contra facções criminosas

Deputado diz que ainda não há posição final do governo sobre o texto da PEC

Mendonça rebate críticas e defende maior protagonismo dos estados na segurança

Relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública na Câmara dos Deputados, Mendonça Filho (União Brasil) afirmou esperar manter com o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, o mesmo padrão de diálogo institucional estabelecido durante a gestão do ex-ministro Ricardo Lewandowski.

Segundo o parlamentar, a interlocução anterior foi marcada por respeito e disposição para negociação, mesmo diante de divergências. Mendonça disse confiar que o governo seguirá aberto a ajustes no texto em tramitação no Congresso. Para ele, o histórico profissional do novo ministro, com atuação no Ministério Público e na advocacia pública, pode contribuir para o aperfeiçoamento da proposta dentro do que classificou como convergência possível no Parlamento.

Espero que se mantenha o mesmo espaço de diálogo que houve durante o período do ministro Lewandowski. Houve posições divergentes, mas sempre uma tentativa de construção por meio do diálogo”, afirmou ao Estadão.

O deputado ressaltou que o substitutivo apresentado em dezembro é resultado de debates com especialistas, operadores da segurança pública, representantes do governo federal e das administrações estaduais. Ele lembrou que, ao longo da negociação, chegou a retirar trechos relacionados ao Sistema Brasileiro de Inteligência após ponderações feitas pelo então ministro da Justiça.

Apesar do histórico de interlocução, Mendonça afirmou que ainda não há clareza sobre a posição final do governo em relação ao texto atual da PEC. Segundo ele, o próprio Executivo apresentou avaliações distintas sobre o conteúdo do relatório ao longo da tramitação.

Conteúdo do substitutivo e tramitação

De acordo com o relator, a proposta prevê medidas mais rigorosas contra o crime organizado, incluindo regras mais restritivas para progressão de regime de integrantes de facções criminosas. Mendonça afirmou que a intenção é enfrentar o tema de forma mais abrangente, sem limitar a PEC a alterações pontuais.

Ele destacou que a condução do debate é uma prerrogativa do Parlamento e que a PEC figura entre as prioridades do presidente da Câmara, Hugo Motta. “Ninguém quer uma proposta superficial. A sociedade cobra uma resposta consistente ao avanço da violência”, disse.

O deputado também afirmou ter a percepção de que o conteúdo geral do substitutivo encontra respaldo majoritário na sociedade, embora admita a possibilidade de ajustes em pontos específicos durante a tramitação. Com a retomada dos trabalhos legislativos, Mendonça pretende apresentar o texto às bancadas partidárias. “Se houver necessidade de alteração, a gente altera. Se não, avança para votação”, afirmou.

União e papel dos estados

Mendonça rebateu críticas de que o relatório esvaziaria o papel da União no combate ao crime organizado. Segundo ele, a legislação federal que institui o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) permanece intacta e não é alterada pelo substitutivo.

“A proposta não retira atribuições da União. Pelo contrário, busca ampliar integração e cooperação”, afirmou. Para o relator, é necessário fortalecer a atuação dos estados, das polícias estaduais e dos Ministérios Públicos locais. “Não é possível imaginar o comando da atividade policial a partir de Brasília em um país continental”, disse.

Em dezembro, o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira, havia avaliado que o relatório reduzia o papel do governo federal. Mendonça reiterou que a proposta não impede coordenação nacional, mas rejeita a centralização excessiva das ações de segurança pública.