Lula Cabral exonera Secretária da Mulher do Cabo após polêmica sobre atentado

A polícia alega que a secretária da Mulher Aline Melo teria cometido fraude processual e falsa comunicação de crime, ela nega e fala em "guerra política"

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 04/06/2026, às 08h48 - Atualizado às 09h34

Montagem de 3 fotos. 1. vidro com marca de tiro em carro. 2. Aline Melo em frente à delegacia de polícia. 3. Carro com vidro torto e marca de tiros
Aline Melo, secretária-executiva da Mulher no Cabo de Santo Agostinho, sofreu atentado em veículo - Reprodução Instagram

Exoneração de Gestora: O prefeito Lula Cabral destituiu Aline Gonçalves de Melo do cargo de secretária executiva da Mulher no Cabo de Santo Agostinho.

Função Acumulada: A secretária de Assistência Social, Penélope Regina Silva de Andrade, assume a pasta de forma cumulativa e sem remuneração adicional.

Inquérito Policial: A Polícia Civil indiciou a ex-secretária e o motorista da pasta por fraude processual e falsa comunicação de crime após concluir que o atentado relatado em março foi forjado.

Provas da Fraude: Imagens de segurança flagraram um encontro de 17 segundos entre o carro oficial e o autor dos disparos, identificado posteriormente como pai do motorista da secretaria.

Versão da Defesa: Em redes sociais, Aline Melo negou a simulação, classificou as acusações como cruéis e afirmou que o caso decorre de perseguição e disputa política.

O prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (Solidariedade), publicou no Diário Oficial dos Municípios desta quinta-feira (04) a portaria de exoneração da secretária executiva da Mulher, Aline Gonçalves de Melo.

A Portaria GAPRE nº 0184 desliga definitivamente a servidora do cargo em comissão. Para responder pelas funções da pasta em regime de acumulação, o chefe do Executivo designou a atual secretária de Assistência Social, Direitos Humanos e Política sobre Drogas, Penélope Regina Silva de Andrade. O documento estabelece que a substituta assumirá as novas obrigações sem receber vencimentos ou subsídios adicionais.

A decisão ocorre após a Polícia Civil de Pernambuco concluir que a ex-gestora simulou um atentado a tiros. O caso aconteceu no dia 26 de março na rodovia PE-28, no sentido do litoral do município da Região Metropolitana do Recife.

Na ocasião, Aline Melo e o motorista oficial da secretaria, Ewerton Eduardo, afirmaram que um motociclista efetuou disparos contra o carro institucional em um ato de violência de gênero. Um dos projéteis atingiu o vidro traseiro do automóvel, no lado em que a gestora estava sentada.

Entenda avaliação da  Polícia Civil

A delegada responsável pelo caso, Myrthor Andrade, detalhou que a equipe de investigação passou a suspeitar da versão inicial após analisar imagens de câmeras de videomonitoramento do trajeto. Os registros mostraram um encontro de 17 segundos entre o veículo oficial e o motociclista pouco antes dos disparos. Posteriormente, a polícia identificou que o condutor da moto era o pai do próprio motorista da secretaria.

Os envolvidos omitiram o encontro nos primeiros depoimentos e alegaram depois que a parada serviu para a entrega de uma caixa de canetas emagrecedoras.

Diante das inconsistências, a Polícia Civil indiciou Aline Melo e Ewerton Eduardo por fraude processual, denunciação caluniosa e falsa comunicação de crime. A instituição também indiciou o pai do motorista por tentativa de homicídio com dolo eventual, uma vez que os laudos técnicos comprovaram o risco real de morte para os ocupantes do automóvel.

Antes da exoneração definitiva, a prefeitura determinou o afastamento temporário dos funcionários. Em pronunciamento nas redes sociais, Aline Melo contestou o indiciamento e classificou o resultado do inquérito como desonesto e cruel. A ex-secretária argumentou que o episódio reflete uma disputa política local e que seus advogados assumiram a condução do processo judicial.