Após Polícia de Pernambuco exibir Duda Salabert e Erika Hilton em álbum de suspeitos, SDS instaura investigação

Em nota ao site, o SDS afirmou que iniciou uma investigação preliminar para avaliar o caso. Deputadas constavam em álbum de suspeitos em caso no Recife

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 25/03/2026, às 10h23 - Atualizado às 10h53

Montagem de duas fotos, Duda Salbert e Erika Hilton
Erika Hilton, de São Paulo, e Duda Salabert, de Minas Gerais, constavam em álbum de suspeitos da Polícia Civil de Pernambuco - Reprodução

A Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco investiga o uso de fotos das deputadas Duda Salabert e Erika Hilton em um álbum de suspeitos da Polícia Civil.

O catálogo fotográfico foi apresentado à vítima de um roubo de celular ocorrido em 2025 no bairro da Boa Vista, no Recife.

A Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE) descobriu o caso e enviou um ofício alertando as parlamentares sobre a irregularidade.

A DPPE aponta que a Polícia Civil ignorou critérios físicos e incluiu as deputadas no álbum de reconhecimento apenas por serem mulheres trans e negras.

Duda Salabert acionou a Justiça e classificou a atitude policial como racismo e transfobia institucional.

Em nota enviada ao Jamildo.com, a SDS confirmou a apuração via Corregedoria Geral para embasar a abertura de um processo administrativo e repudiou qualquer prática de preconceito.

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) abriu uma investigação preliminar para apurar o uso de fotos das deputadas federais Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) em um catálogo de suspeitos da Polícia Civil do estado. O anúncio do SDS ocorreu nesta quarta-feira (25), em nota ao Jamildo.com. 

A inclusão das imagens ocorreu durante a investigação de um roubo de celular no bairro da Boa Vista, área central do Recife, em 2025. 

O caso chegou ao conhecimento das parlamentares após um alerta do Núcleo Criminal da Capital da Defensoria Pública do Estado (DPPE).

O órgão enviou um ofício ao gabinete de Duda Salabert na última semana detalhando que uma vítima de assalto em 2025 teria visto um álbum de reconhecimento de suspeitos contendo seis fotografias, entre elas Duda e Erika, que não residem no estado.

Fotos em preto em branco, seis fotos em colunas, quatro fotos embaçadas e imagens de erika hilton e duda salabert
Álbum de suspeitos da Polícia Civil continha foto das deputadas federais - Reprodução material DDPE

O crime original aconteceu em 24 de fevereiro do mesmo ano, nas imediações da Faculdade Fafire.

No documento enviado à Câmara dos Deputados, a Defensoria Pública questionou o critério adotado pela Polícia Civil. A instituição argumenta que a seleção das imagens ocorreu por pertencimento a um grupo identitário de gênero e raça, ignorando a semelhança física com a descrição da suspeita real ditada pelo Código de Processo Penal.

"A única razão que pode explicar a inserção dessas fotografias no procedimento é o fato de que ambas as parlamentares são mulheres negras e trans", destacou o ofício assinado pela defensora pública Gina Ribeiro Gonçalves Muniz.

A DPPE também ressaltou perante a 16ª Vara Criminal da Capital que o reconhecimento fotográfico realizado nessas condições tem flagrante fragilidade probatória.

As parlamentares reagiram de forma nas redes sociais e acionaram a Justiça. Duda Salabert enviou um ofício à SDS cobrando a retirada imediata das imagens de qualquer material de identificação policial e classificou a prática como perfilamento.

"Colocaram minha foto e a da Erika Hilton lado a lado em um álbum de reconhecimento criminal. Não por semelhança com a suspeita, mas por sermos travestis. Isso não é investigação. É perfilamento, é racismo e transfobia institucional", publicou Duda. A deputada Erika Hilton seguiu a mesma linha de argumentação e informou que acionou os órgãos competentes para a apuração do episódio.

SDS vai investigar

Diante da repercussão nacional, a SDS enviou uma nota oficial ao Jamildo.com confirmando o início da apuração pela Corregedoria Geral.

A pasta governamental assegurou que coletará os subsídios necessários para a instauração de um processo administrativo contra os servidores envolvidos. A Secretaria também declarou que a Polícia Civil atua de forma rigorosa, repudiou práticas de discriminação e reafirmou o compromisso da corporação com o atendimento igualitário à população.

Raquel Lyra se pronuncia

Após a repercussão do caso, Raquel Lyra repudiou o uso da imagem das deputadas e afirmou que determinou uma "apuração rigorosa", além de dizer que "preconceito e violência simbòlica não são tolerados em PE".