Valores do SUS não são atrativos para médicos do interior, diz secretária de saúde na Amupe

Governo do Estado tenta oferecer mais especializações para reverter carência de profissionais no interior; estado é destaque nacional no Agora Tem Especialistas

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 29/04/2026, às 08h41

Secretária de saúde de Pernambuco discursa na Amupe
SUS em Pernambuco tem parceria com cinco instituições privadas e filantrópicas - Otávio Gaudêncio/Jamildo.com

A secretária Zilda Cavalcanti afirmou que Pernambuco enfrenta dificuldade para contratar profissionais de saúde no interior.

O principal motivo é a baixa atratividade dos valores pagos pelo SUS, segundo a gestora.

O Estado tenta contornar o problema ampliando vagas de residências para fixar profissionais no interior.

O programa “Agora Tem Especialistas” avança, mas enfrenta desafio na adesão de hospitais privados.

A secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, admitiu que o Estado vem tendo dificuldades na contratação de profissionais para atuação no interior. A declaração ocorreu no 9º Congresso da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe)

Para a titular da pasta, os valores de tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) são o principal motivo que dificulta a contratação de profissionais da saúde no interior de Pernambuco

"As tabelas muitas vezes não são atrativas para os profissionais que trabalham na região do interior", disse Zilda Calvacanti. Segundo ela, porém, são poucos os trabalhadores que não têm atividade em nenhum tipo de sistema público de saúde.

"Os profissionais não se interessam", afirmou sobre a adesão de funcionários do setor por meio de concursos públicos e seleções simplificadas. 

O modo pelo qual o Governo de Pernambuco tenta contornar a situação, segundo a secretária, é aumentar a disposição de vagas de residências no estado. A estratégia da medida é promover o estabelecimento dos profissionais nas demais regiões do estado por meio da disponibilidade de especializações médicas e não médicas.

"Residência clínica de cirurgia em Goiânia, em Afogados {da Ingazeira}, residência de anestesia, em Serra Talhada", detalhou. 

Ação da União no estado

Representando o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, a diretora do Ministério da Saúde, Regina Brizolara, também esteve na sala temática de saúde, com o tema "como inovar, melhorar o acesso e reduzir filas". Em sua fala, ela destacou métricas de ações do Governo Federal em Pernambuco. 

O principal programa abordado foi o Agora Tem Especialistas, que tem o objetivo de reduzir o tempo de espera para atendimentos no SUS. 

A medida da União divide o programa em duas áreas de atividade: cirurgias e Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs). Atualmente, cerca de 1.279 tipos de cirurgia e 35 OCIs são disponibilizadas

De acordo com dados do Ministério da Saúde apresentados no evento, apenas 6,71% das OCIs de 2025 foram disponibilizadas pelo Governo do Estado, enquanto o restante ficou sob a oferta dos municípios pernambucanos.

O levantamento também mostra que o estado registrou um aumento de 38% de cirurgias realizadas pelo SUS no último ano, alcançando o 8º lugar no ranking nacional; nas OCIs, Pernambuco é a 4ª posição. 

Credenciamento de unidades privadas ainda é desafio

A ação conjunta do SUS com os hospitais privados e filantrópicos é uma das principais estratégias do Agora Tem Especialistas para redução das filas na fila de espera para atendimentos do SUS. Para adesão das entidades, o Governo Federal oferta a quitação de dívidas das unidades de saúde com a União.

No entanto, a medida tem sido "o maior desafio" do programa em Pernambuco, segundo a diretora do ministério. 

Os dados oficiais do Governo Federal apontam 31 propostas recebidas de complexos hospitalares que querem aderir à ação. Desses, o Ministério da Saúde aprovou 13 e já contratou cinco. 

Detalhamento da lista de instituições aprovadas
Detalhamento da lista de instituições aprovadas

Até o momento, são três hospitais contratados na Região Metropolitana do Recife (RMR), um no Sertão e outro no Agreste: 

  • RMR: IMIP (Recife), Real Hospital Português (Recife) e Irmandade de Santa Casa de Misericórdia do Recife (Recife); 
  • Agreste: Hospital Infantil Palmira Sales (Garanhuns); e 
  • Sertão: Instituto Social das Medianeiras da Paz / Hospital e Maternidade Santa Maria (Araripina). 

Ao todo, as cinco instituições reúnem um valor contratualizado de R$ 48.993.488,50. Elas já foram responsáveis pela realização de 6.216 cirurgias e 27.252 OCIs. As intervenções envolvem, principalmente, profissionais de cardiologia, oftalmologia, ortopedia e oncologia.

Além disso, a diretora do ministério afirmou que a pasta está tentando ampliar os atendimentos à estrutura do Unimed: "É outra que a gente está tentando expandir".