Simepe aponta sobrecarga e fragilidades na rede de saúde de Santa Cruz do Capibaribe

Fiscalização do Simepe em Santa Cruz do Capibaribe revela escalas incompletas, desvio de função do Samu e precarização nos vínculos dos médicos

Redação Jamildo.com

por Redação Jamildo.com

Publicado em 28/04/2026, às 17h00 - Atualizado às 17h45

Na UPA, que funciona como a única porta de urgência e emergência do município, o sindicato constatou uma alta demanda assistencial que tem sobrecarregado o corpo clínico. - Foto: Divulgação
Na UPA, que funciona como a única porta de urgência e emergência do município, o sindicato constatou uma alta demanda assistencial que tem sobrecarregado o corpo clínico. - Foto: Divulgação

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) realizou, na última segunda-feira (27/04), uma fiscalização na rede municipal de saúde de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste de Pernambuco.

A inspeção, conduzida pelos diretores Robson Miranda e Rodrigo Rosas, percorreu a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h e a base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O objetivo foi apurar denúncias sobre as condições de trabalho e a estrutura de atendimento oferecida à população.

Na UPA, que funciona como a única porta de urgência e emergência do município, o sindicato constatou uma alta demanda assistencial que tem sobrecarregado o corpo clínico.

Entre os problemas identificados estão escalas de trabalho defasadas e um número insuficiente de ambulâncias próprias da unidade. A fiscalização pontuou que o volume de atendimentos supera a capacidade operacional instalada, gerando um gargalo no fluxo de assistência.

Um dos pontos mais críticos observados refere-se à operação do Samu local.

Segundo o Simepe, o serviço tem sido utilizado frequentemente para realizar remoções de pacientes que a rede municipal não consegue absorver, desviando as ambulâncias de sua função primordial de atendimento de urgência nas ruas.

Somado a isso, a base do Samu apresenta estrutura física precária e não possui cronograma oficial para reformas ou melhorias.

A precarização dos vínculos empregatícios também foi registrada durante a visita. Grande parte dos médicos atua sob o regime de Pessoa Jurídica (PJ), dependendo de empresas intermediárias para o recebimento de honorários.

Essa modalidade de contratação, recorrente em diversos municípios do estado, tem sido alvo de críticas do sindicato por não oferecer garantias trabalhistas sólidas e dificultar a fixação de profissionais na rede pública.

O Simepe informou que encaminhará um relatório detalhado com todos os pontos críticos aos órgãos de controle, incluindo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e o Conselho Regional de Medicina (Cremepe).

“O que encontramos em Santa Cruz do Capibaribe é uma realidade que exige atenção urgente. Há uma sobrecarga evidente sobre os colegas, com escalas insuficientes diante de uma demanda crescente, além de fragilidades estruturais que impactam diretamente na qualidade da assistência. A utilização do Samu para suprir lacunas da rede também é um sinal claro de que o sistema precisa de reestruturação”, destacou Miranda.

A reestruturação da rede é considerada urgente para evitar que a população local sofra com a desassistência, especialmente em casos de remoções emergenciais que dependem da disponibilidade de frota.