Enquanto oposicionistas gritam contra João Campos, eleitores do socialista brigaram com Medina. Vereadores votam instauração de impeachment
por Cynara Maíra
Publicado em 03/02/2026, às 10h08 - Atualizado às 10h49
O Tumulto: A votação do impeachment de João Campos começou com brigas, filas desde cedo e hostilidades na Câmara do Recife.
A Agressão: O vereador Thiago Medina (PL) foi cercado e xingado por militantes governistas ao chegar para a sessão.
O Clima: Galerias lotadas registram xingamentos mútuos. Oposicionistas chamam governistas de "babões" e são chamados de "fascistas".
O Motivo: O pedido de impeachment questiona a nomeação de um procurador fora da ordem classificatória, beneficiando o filho de um juiz.
A Previsão: A oposição tem 11 votos e precisa de 19 para abrir o processo, o que indica provável arquivamento pela maioria governista.
A Câmara Municipal do Recife amanheceu em clima de guerra política nesta terça-feira (3).
A Casa de José Mariano vota a admissibilidade do pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB), mas a tensão começou antes mesmo da abertura do plenário.
Desde 7h da manhã, filas se formaram na entrada do Legislativo, com registros de bate-boca, empurra-empurra e hostilidades físicas entre manifestantes e parlamentares.
O vereador de oposição Thiago Medina (PL) foi alvo de agressões verbais e tentativas de intimidação por parte de militantes governistas ao chegar para a sessão. Medina é um dos articuladores do pedido de afastamento e relatou ter sido cercado em meio ao tumulto.
O vereador Eduardo Moura (Novo), autor do pedido de impeachment, gravou vídeos acusando apoiadores do prefeito de "furarem a fila" para ocupar os assentos destinados ao público. "Tudo babão, tudo comprado do prefeito", gritou Moura, enquanto era vaiado e chamado de "fascista" pelos governistas.
Dentro do plenário, o coro das galerias governistas entoou xingamentos contra vereadores da oposição, com gritos, direcionados a um dos parlamentares do grupo adversário.
Do outro lado, oposicionistas chamavam o vereador Rubem, do PSB, de "traidor" por ter assinado o pedido de impeachment mesmo sendo da base.
Durante a fala de Eduardo Moura, membros da plateia começaram a vaiar.
A Câmara decide hoje se aceita ou arquiva a denúncia de crime de responsabilidade contra João Campos.
O pedido baseia-se na nomeação de um procurador municipal. O candidato, filho de um desembargador e de uma procuradora de contas, foi aprovado na 63ª posição na ampla concorrência, mas acabou nomeado na vaga de Pessoa com Deficiência (PCD) após apresentar um laudo de autismo tardiamente.
A prefeitura anulou o ato após a repercussão negativa, mas a oposição sustenta que houve favorecimento e troca de influências, já que o pai do candidato arquivou processos de interesse da gestão municipal na Justiça.
Para que o processo avance, a oposição precisa de maioria simples (19 votos) entre os 37 vereadores. No entanto, o grupo conta com apenas 11 parlamentares declaradamente oposicionistas, o que torna o arquivamento o cenário mais provável.
Devido ao clima hostil, a presidência da Câmara reforçou a segurança com a Guarda Municipal e a Polícia Militar.
A gestão limitou acesso às galerias à lotação máxima. O presidente Romerinho Jatobá (PSB) fez um apelo por "senso de responsabilidade" e afirmou que a Casa não tolerará agressões, mas o ambiente permanece inflamado.