Raquel Lyra responde ao STF na Alepe: "Sob meu comando, ninguém deixará de ser investigado"

Raquel Lyra afirmou que "ninguém está acima da lei" e negou perseguição política após decisão de Gilmar Mendes. Gestora defendeu autonomia da Polícia Civil

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 03/02/2026, às 09h16 - Atualizado às 09h52

Raquel Lyra fala em microfone
Yacy Ribeiro/Secom

A Reação: Raquel Lyra comentou pela primeira vez a decisão de Gilmar Mendes (STF) que autorizou investigação da PF contra a Polícia Civil de PE.

A Defesa: A governadora negou perseguição política, defendeu a autonomia da polícia e disse que "ninguém deixará de ser investigado" sob seu comando.

Na Alepe: Raquel enfrentou protestos, destacou a queda da violência e pediu responsabilidade política em ano eleitoral.

No TJPE: A gestora falou em "tentativas de enfraquecimento das instituições" durante posse do novo presidente do Tribunal.

O Contexto: A crise envolve o trancamento de inquérito contra secretárias de João Campos e a denúncia de monitoramento ilegal de aliados do prefeito.

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), utilizou seus discursos oficiais na segunda-feira (02) para reagir à decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O magistrado determinou o arquivamento de investigações contra secretárias da Prefeitura do Recife e autorizou a Polícia Federal a apurar um suposto monitoramento ilegal pela Polícia Civil do Estado.

Durante a abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Raquel adotou um tom firme ao comentar o caso. "Quem precisa prestar esclarecimentos, que preste. Sob o meu comando, nada nem ninguém jamais deixará de ser investigado se houver indícios suficientes para isso", declarou a gestora.

Questionada sobre a investigação federal contra a Polícia Civil, Raquel Lyra defendeu a autonomia da corporação e negou qualquer orientação política nas ações de segurança.

"A Polícia Civil de Pernambuco é uma instituição de Estado. Ela não pertence e não serve a interesses políticos e jamais será instrumento de ninguém", afirmou.

A governadora também informou que o Estado atuará nos autos do processo no STF através da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). "Respeitamos o STF, respeitamos o Ministério Público, respeitamos as polícias. O que nós não podemos aceitar é que eventuais excessos fiquem sem explicação", completou.

No fim de semana, Gilmar Mendes atendeu a um pedido do PSB e trancou um inquérito do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra as secretárias municipais Luciana Albuquerque (Saúde), Maíra Fischer (Finanças) e Adynara Gonçalves (Direitos Humanos).

O ministro considerou a investigação excessiva e sem delimitação clara.

No mesmo despacho, o magistrado ordenou que a PF investigue a denúncia de monitoramento irregular contra o secretário de Articulação Política do Recife, Gustavo Monteiro. O PSB alega que houve uso de "polícia paralela" para fins eleitorais.

Discurso na Alepe

Além da defesa jurídica, Raquel Lyra apresentou um balanço de sua gestão aos deputados. Sob protestos de estudantes e policiais civis nas galerias, a governadora destacou a redução da violência como principal trunfo.

A gestora também citou investimentos em infraestrutura, como o início das obras do Arco Metropolitano e a recuperação de 1,5 mil km de estradas. Sobre a relação com o Legislativo, Raquel pregou o diálogo, mas pediu responsabilidade em ano eleitoral.

"Este não é um ano para distrações, nem para disputas que atrasam o Estado", disse.

Posse no TJPE

Mais tarde, na posse do novo presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Francisco Bandeira de Mello, Raquel voltou a tocar no tema indiretamente. Sem citar nomes, a governadora falou sobre "tempos desafiadores" e "discursos fáceis".

"Enfrentamos um ambiente de polarização, de discursos frágeis e, muitas vezes, de tentativas de enfraquecimento das instituições", afirmou a gestora, ao lado do prefeito João Campos (PSB), que também participou da cerimônia.