Clima de tensões entre União Brasil e Progressistas se dá principalmente pela disputa de Miguel Coelho e de Eduardo da Fonte por vaga no Senado
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 26/03/2026, às 10h06 - Atualizado às 11h24
O TSE aprovou nesta quinta-feira (26) o pedido de federação entre União Brasil e Progressistas, sob relatoria da ministra Estela Aranha.
Em Pernambuco, a aliança acirra disputas internas entre Miguel Coelho (União) e Eduardo da Fonte (PP), com divergências sobre estratégias políticas.
O conflito gira principalmente em torno da disputa pelo Senado: Coelho buscava espaço ligado a João Campos, enquanto da Fonte articulava com Raquel Lyra.
Com mudanças no cenário, o União Brasil passou a apoiar a reeleição de Raquel Lyra, enquanto Eduardo da Fonte se aproximou de João Campos, gerando atritos e até exonerações de indicados do PP no governo estadual.
A tensão é tão grande que Mendonça Filho pediu o cancelamento da federação, enquanto a direção nacional do PP já indicou que Eduardo da Fonte deve comandar a aliança em Pernambuco.
Nesta quinta-feira (26), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou o pedido de registro de federação entre os partidos União Brasil e Progressistas. A solicitação foi aprovada pela ministra Estela Aranha.
Com a homologação, a aliança fica sob a liderança do deputado federal Eduardo da Fonte (PP).
"Assumo essa responsabilidade com bastante seriedade e compromisso, ciente da força que essa união representa para Pernambuco e para o Brasil", disse.
Juntas, as legendas somam mais de 100 deputados federais e cerca de uma dúzia de senadores.
Em Pernambuco, o cenário para a federação gera tensões. Desde o começo do ano, os presidentes estaduais do União Brasil (Miguel Coelho) e do Progressistas (Eduardo da Fonte) se chocam em estratégias diferentes de articulações políticas.
Primeiro, Coelho tentava uma vaga na chapa do prefeito João Campos (PSB) para chegar ao Senado, enquanto Dudu almejava o mesmo, porém, na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD).
O ex-prefeito de Petrolina defendeu que a prioridade para o União Brasil era vencer a disputa ao Senado, mas sem atropelar o colega de federação. De qualquer forma, da Fonte comunicou que a decisão deveria priorizar o PP, pois Pernambuco é um dos nove estados em que a legenda tem maioria na composição da federação.
Coelho, no entanto, afirmou que, em caso de desacordo, a direção nacional é que deve tomar a decisão.
Já em março e com a chapa de João Campos encaminhada com Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) como nomes à Casa Alta do Congresso Nacional, Miguel Coelho anunciou que o União apoiaria a reeleição de Raquel Lyra.
O movimento ocorreu simultaneamente à aproximação do deputado federal Eduardo da Fonte com o prefeito do Recife, o que não foi bem visto por colegas do PP e pela governadora, que exonerou diversos indicados do PP no Executivo. Meses antes, Dudu mantinha o apoio à Raquel como absoluto.
O também deputado federal Mendonça Filho (União) solicitou ao presidente nacional do partido, Antônio Rueda, o cancelamento da federação. No texto, o parlamentar afirma que a não conclusão da aliança é uma "medida necessária para preservar a estabilidade política, a segurança institucional e a capacidade organizativa do União nas eleições de 2026".
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