TRE determina remoção de publicação feita com IA que associa Raquel a Flávio Bolsonaro

Além da remoção de publicação feita com IA, associando Raquel a Flávio Bolsonaro, TRE exigiu que titular de página se apresente à justiça eleitoral

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 12/08/2026, às 21h31

Priscila Krause e Raquel Lyra, vestindo trajes com a bandeira de Pernambuco, montam a cavalo durante Missa do Vaqueiro
Guerra no TRE começa antes mesmo da eleição e nome de Flávio Bolsonaro aparece em peça associada à oposição - Janaína Pepeu/Divulgação

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE) determinou a remoção imediata de uma publicação feita pelo perfil @juventudejoaocampos no Instagram que utilizava uma imagem manipulada para associar a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

A decisão foi proferida pelo desembargador eleitoral Fernando Braga Damasceno, após ação apresentada pela coligação de Raquel Lyra.

A postagem simulava uma fotografia dos dois políticos acompanhada da frase: "Em Pernambuco, o bolsonarismo é roxo", em referência à cor de campanha usada pela gestora, desde às campanhas pela prefeitura de Caruaru.

Na decisão, o magistrado entendeu que o conteúdo atribui à candidata "determinada proximidade e alinhamento político" e destacou que a publicação utilizava inteligência artificial sem informar de forma clara que se tratava de conteúdo manipulado, em desacordo com as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026.

Além da retirada da postagem, o desembargador determinou que a plataforma Instagram forneça informações que permitam identificar o responsável pelo perfil, para que ele seja citado no processo e apresente manifestação à Justiça Eleitoral.

A representação da coligação sustenta que Raquel Lyra adota posição de independência em relação à disputa presidencial e alegou que a publicação buscava criar uma associação política por meio de imagem manipulada.

O caso ocorre em meio a outras disputas judiciais envolvendo propaganda eleitoral no Estado. Tanto situação como oposição se acusam mutuamente de contarem com "gabinetes do ódio", prática que ficou mais conhecida no governo Bolsonaro pelo uso clandestino e ilegal de recursos de tenologia para atacar adversários. Ambos os candidatos já foram fazer visitas oficiais ao presidente do órgão a fim de pedir vigilância e providências, como já mostrou o site Jamildo.com.

Em decisão anterior, o TRE determinou a adoção de medidas relacionadas à investigação de perfis suspeitos de atuação coordenada na divulgação de conteúdos durante a campanha eleitoral.