Tanto João Campos quanto Raquel Lyra já ganharam decisões no TRE-PE contra deep fakes e ataques digitais. Ambos alegam ataques adversários
por Cynara Maíra
Publicado em 12/08/2026, às 07h42 - Atualizado às 08h23
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) reuniu-se na terça-feira (11) com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), desembargador Fernando Cerqueira.
Acompanhado do candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), o socialista pediu atenção da Justiça Eleitoral para a circulação de desinformação e a atuação de um suposto "gabinete do ódio" nas redes sociais.
A campanha da Frente Popular alega que conteúdos caluniosos contra o ex-prefeito do Recife vêm sendo produzidos e distribuídos de forma coordenada no ambiente digital. Durante o encontro, João Campos defendeu o cumprimento das regras eleitorais e cobrou a apuração de irregularidades pela Corte Eleitoral.
A pauta sobre ataques cibernéticos virou ponto comum entre os dois principais concorrentes ao Palácio do Campo das Princesas. Na última semana, a governadora Raquel Lyra (PSD) também afirmou ser vítima de ações orquestradas após a divulgação de sua declaração de bens na plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A gestora relatou o vazamento de dados pessoais e o recebimento de depósitos indesejados via Pix motivados por piadas digitais sobre seu patrimônio declarado de R$ 359 mil.
O TRE-PE já tomou decisões favoráveis a ambos os lados para conter abusos virtuais. Em junho, a Corte Eleitoral mandou remover vídeos que usavam inteligência artificial para criar animações e paródias com a imagem de João Campos, enquadrando o material na proibição de manipulações sintéticas e "deep fakes". O socialista também é alvo de uma série de vídeos feitos com IA que simulam as virais novelas de frutas, diversos desses materiais já foram removidos por exigência do TRE.
Nos materiais, a paródia retrata a vida de "Jambo Campos", "Batata Amaral" e outros personagens, com críticas e associações negativas relacionadas ao ex-prefeito do Recife, sua esposa, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), o irmão Pedro Campos (PSB) e outras figuras políticas.
Na semana passada, o tribunal atendeu a um pedido do PSD e ordenou a remoção de publicações no Instagram direcionadas contra Raquel Lyra. A decisão liminar apontou a presença de desinformação, descontextualização de fatos e indícios de uso não rotulado de inteligência artificial para descredibilizar a gestão estadual da saúde.
Fora do digital, Raquel também foi alvo de cartazes espalhados por Região Metropolitana do Recife. O material apresentava uma montagem de Raquel Lyra abraçada ao candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL) com o texto "chapa anti-lula" abaixo. Essa mobilização é lida como uma forma de atacar a gestora para o eleitorado pernambucano, que majoritariamente pretende votar no presidente Lula (PT).
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