Gabinete do ódio é tema mútuo entre pré-campanhas de João Campos e Raquel Lyra

Fala recente de Raquel Lyra ocorre após repercussão de patrimônio declarado em site do TSE; João Campos afirma ser alvo desde a reeleição em 2024

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 10/08/2026, às 09h12 - Atualizado às 09h13

Raquel lyra e João Campos em sala do palácio do governo, no Recife
Raquel Lyra e João Campos, no Campo das Princesas - SEI/Divulgação

Candidatos ao Governo de Pernambuco, o ex-prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD) afirmam ser alvos constantes de "gabinetes do ódio". Na última semana, ambos foram a público e expuseram o tema. 

A mais recente foi a governadora, que foi alvo de críticas e de suposta perseguição após detalhamento de bens na plataforma DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já João Campos disse enfrentar o ódio no ambiente digital desde a sua reeleição em 2024, com citações diretas à estrutura do Governo do Estado

Em episódio do PodJá — o podcast do Jamildo, a advogada especialista em direito eleitoral Diana Câmara antecipou que o ambiente digital será o maior desafio para a Justiça Eleitoral durante as disputas pelos espaços de poder em 2026. 

Caso Raquel 

O endereço virtual do TSE mostra a gestora com patrimônio de R$ 359.498,33, bem menor que o de João Campos (R$ 2.892.723,46). O compilado, por si só, gerou reação no eleitorado digital, que "estranhou" o baixo valor declarado em nome de Raquel Lyra. 

O detalhamento dos bens ainda mostra que R$ 289 mil do valor total da governadora são representados por apartamento em Jaboatão dos Guararapes, R$ 70 mil em renda fixa e R$ 1 em depósito bancário em conta corrente. De acordo com Raquel, esses dados motivaram ataques de motivações políticas a ela.

Em vídeo para as redes sociais, a gestora exibiu perfil da Juventude do Partido Socialista em Pernambuco, que publicou memes sobre a quantia declarada em conta corrente da governadora. Além disso, Raquel ainda disse ter tido seus dados vazados, passando a receber valores em sua conta bancária. 

"Adoro o bom humor pernambucano, mas tem gente confundindo criatividade com mentira... Há dois dias, comecei a receber, no meu Pix, alguns depósitos. Eu pensei que era engano, depois pensei que fosse uma brincadeira, mas agora eu entendi. Era uma ação coordenada dos nossos adversários através do gabinete do ódio", declarou. 

Mesmo sem citar diretamente o grupo de João Campos, Raquel deu indireta ao ex-prefeito ao relembrar o caso da suposta "furada de fila" em concurso para promotoria do município, que acabou em um pedido de  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), arquivada pelo presidente da Câmara do Recife, Romerinho Jatobá (PSB). 

O líder do Legislativo Municipal alegou que não havia "fato determinado" a ser investigado, já que a portaria com a nomeação foi revogada dias depois da publicação e que o processo teria sido solucionado administrativamente, sem causar danos aos cofres públicos ou candidatos. 

A plataforma da Corte Eleitoral fica aberta para mudanças nas informações dos candidatos até o sábado (15). 

Caso João Campos 

A reclamação do socialista sobre o tema ocorreu durante agenda no município de Araripina, na última sexta-feira (7). João Campos alega que vem sofrendo ataques desde a época em que venceu sua reeleição para prefeito do Recife em 2024. 

De acordo com ele, os ataques são mobilizados por meio da estrutura do Governo de Pernambuco. "Estão me atacando de manhã, tarde e noite, com informações falsas, calúnias e difamação", afirmou. 

"Tenho certeza de que isso não vai interferir em nossa vitória, que virá pela verdade do povo pernambucano, que saberá entender quem está jogando limpo e quem vem fazendo um jogo sujo para continuar no poder", afirmou. 

Investigação da Polícia Civil contra a Prefeitura do Recife

A afirmação dos integrantes da ala de João Campos também ganhou força após reportagem da Record TV, que divulgou uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco contra integrantes da gestão municipal do Recife, quando João Campos ainda era prefeito. 

Na época do caso, o socialista também citou o período após a reeleição como uma fase em que os ataques teriam se agravado e classificou a ação como perseguição política. Raquel negou envolvimento na suposta perseguição, mas afirmou que "ninguém deve deixar de ser investigado se houver indícios suficientes para isso"