'Se Miguel desistir do Senado, Dudu também topa desistir'

Impasse entre Dudu e Miguel expõe disputa partidária e pode abrir caminho para acordo no Senado, na chapa governista

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 13/07/2026, às 14h31 - Atualizado às 14h58

Disputa entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho pelo Senado passa pelo comando da União Progressista
Disputa entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho pelo Senado passa pelo comando da União Progressista - Divulgação

O impasse sobre as vagas ao Senado na chapa de Raquel Lyra ganhou um novo foco nos bastidores: a preservação da União Progressista.

Aliados avaliam que a disputa entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho envolve o controle político da federação e tende a ser resolvida por meio de um acordo negociado.

A expectativa é de que a definição ocorra apenas após entendimentos com Raquel Lyra e as direções nacionais dos partidos.

O impasse em torno das vagas ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) tem sido tratado, nos bastidores da política pernambucana, menos como uma disputa pessoal entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho e mais como uma questão de sobrevivência político-partidária da federação União Progressista.

Depois das discussões jurídicas sobre a impossibilidade de uma candidatura avulsa ao Senado, o foco das conversas migrou para outro ponto: como preservar a unidade da federação sem provocar uma ruptura com o grupo de Raquel Lyra.

Segundo interlocutores ouvidos pelo Jamildo.com, há um entendimento crescente de que a solução passará necessariamente por um acordo político entre os dois principais líderes da União Progressista em Pernambuco.

Nos bastidores, uma hipótese tem ganhado força.

"A real preocupação de Dudu (da Fonte) é o controle da federação caso Miguel seja eleito (para o Senado). A prioridade (para dirigir a federação) é do senador", explica uma fonte ligada ao governismo ao site Jamildo.com. '(Assim...) Se Miguel desistir do Senado, Dudu também topa desistir'

Como construir uma alternativa capaz de contemplar os interesses dos dois grupos políticos? Nada vazou ainda.

A leitura de aliados é que o problema nunca foi exclusivamente escolher quem teria mais votos, mas definir como manter a federação unida, preservar seu peso político e evitar perdas para todos os envolvidos.

Isso porque tanto Miguel quanto Dudu comandam estruturas relevantes dentro da União Progressista. Um rompimento poderia comprometer não apenas a montagem da chapa majoritária, mas também a estratégia para a Câmara Federal, Assembleia Legislativa e o tempo de propaganda eleitoral da coligação.

A possibilidade reforça o cenário já discutido anteriormente de construção de uma solução negociada. Entre as alternativas ventiladas continuam figurando espaços na chapa majoritária, composição para a Câmara dos Deputados e outros compromissos políticos capazes de acomodar os dois grupos.

Enquanto isso, a decisão permanece em aberto. Eduardo da Fonte segue trabalhando para consolidar sua pré-candidatura ao Senado e mantém a vantagem de presidir a federação em Pernambuco. Miguel Coelho, por sua vez, continua defendendo que seu grupo tenha protagonismo na composição governista.

Nos bastidores, entretanto, cresce a percepção de que nenhum dos dois deseja assumir o custo político de provocar uma ruptura na União Progressista. Por isso, a expectativa entre aliados é de que a definição só ocorra após uma negociação ampla, envolvendo não apenas os dois pré-candidatos, mas também a governadora Raquel Lyra e as direções nacionais dos partidos que integram a federação.