Redes municipais têm menos da metade dos professores efetivos, Raquel Lyra reverte índices em censo

Pernambuco conseguiu aumentar número de professores efetivos e tem resultado acima da média nacional. Municípios do estado continuam com menos da metade

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 27/02/2026, às 11h21 - Atualizado às 12h45

Professor escreve em quadro branco enquanto alunos observam em sala de aula, jovens estão sentados
Professores com contratos temporários são maioria nos municípios de Pernambuco. Estado reverte índices e fica acima da média nacional em efetivos - José Cruz/ Agência Brasil

O Censo Escolar 2025 mostra que as redes municipais de Pernambuco possuem apenas 46,9% de professores efetivos.

Os contratos temporários representam a maioria nas prefeituras pernambucanas, atingindo 51,7% do quadro docente.

Pernambuco tem a 8ª pior taxa de professores concursados em redes municipais no Brasil, atrás de estados como Alagoas e Acre.

A rede estadual de Pernambuco apresentou melhora significativa, saltando de 46,6% de efetivos em 2024 para 62,9% em 2025.

A média nacional de professores concursados nas prefeituras é de 60,5%, com o Paraná liderando o ranking (85,4%).

Especialistas alertam que a alta rotatividade de professores temporários compromete o planejamento das escolas e a segurança financeira da categoria.

O Ministério da Educação (MEC) e o Inep divulgaram na quinta-feira (26) os dados do Censo Escolar 2025, uma análise sobre a educação pública no país.

Sobre Pernambuco, o levantamento indica que as redes municipais do estado ainda dependem majoritariamente de contratações temporárias. Em 2025, apenas 46,9% dos professores que atuam nas prefeituras do estado têm vínculo efetivo ou concursado.

A proporção de contratos temporários nas redes municipais pernambucanas atinge 51,7%.

O restante do quadro funcional divide-se entre profissionais sob regime CLT (0,8%) e terceirizados (0,6%). Pernambuco ocupa a oitava posição entre as unidades da federação com o menor percentual de docentes estáveis nos municípios, ficando abaixo da média nacional de 60,5%.

Rede estadual reverte dependência de temporários

Diferente do cenário encontrado nas prefeituras, a rede estadual de Pernambuco registrou um avanço na estabilidade do corpo docente. Em 2025, o estado deteve 62,9% de professores concursados, superando a média nacional para as redes estaduais, que é de 48,6%.

Os dados atuais mostram uma mudança em relação ao Censo Escolar 2024. No ano passado, a rede estadual pernambucana figurava entre as 14 unidades da federação com mais temporários do que efetivos, registrando 52,06% de contratos por excepcional interesse público. Em 2025, o percentual de temporários na rede estadual caiu para 36%.

Em 2023 o índice era pior, apenas 36,35% eram efetivos, com o 8º menor resultado entre os estados brasileiros. 

Impactos na continuidade pedagógica

Especialistas e entidades como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEPE) indicam que a predominância de vínculos temporários gera instabilidade financeira para o profissional e fragiliza a estrutura das escolas.

O modelo dificultaria a criação de laços permanentes entre o professor e a comunidade escolar, o que prejudicaria o desenvolvimento de projetos pedagógicos de longo prazo.

Muitas prefeituras utilizam o contrato temporário fora do critério legal de excepcionalidade. Segundo docentes da área, a prática visa reduzir custos com direitos trabalhistas, como férias e décimo terceiro salário, já que muitos contratos encerram em dezembro e reiniciam apenas em fevereiro ou março.