Raquel Lyra entrou com interpelação judicial criminal contra João Campos após falas do socialista sobre suposta rede de ataques coordenada pelo Governo
por Cynara Maíra
Publicado em 28/08/2026, às 12h03 - Atualizado às 12h23
Ação na Justiça: Raquel Lyra (PSD) ingressou com interpelação judicial criminal contra João Campos (PSB) com base no artigo 144 do Código Penal.
Objeto do pedido: A governadora exige que o candidato esclareça a quem se referiu ao citar uma "milícia digital" comandada por "quem senta na cadeira para governar Pernambuco".
Sem queixa-crime imediata: A medida busca obter explicações formais prévias sobre a autoria e os alvos das acusações divulgadas em vídeo.
Dossiê da oposição: A Frente Popular anunciou uma AIJE no TRE-PE reunindo cinco eixos de denúncias contra a chapa governista.
Processos anteriores: A campanha de Raquel também mantém ação sob sigilo no TRE-PE denunciando mais de 500 perfis por ataques contra sua honra.
A governadora Raquel Lyra (PSD) acionou a Justiça com uma interpelação judicial criminal contra o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) nesta sexta-feira (28).
Segundo o material divulgado para imprensa, o pedido se fundamenta no artigo 144 do Código Penal e exige que o adversário esclareça declarações públicas em que apontou que "quem senta na cadeira para governar Pernambuco" coordena uma suposta "milícia digital" a partir da sede do Executivo estadual.
João Campos deu a declaração na noite de quinta-feira (27) após Raquel publicar um vídeo em que aponta uma suposta conexão entre o socialista e o ex-servidor apontado como ex-sócio de empresa supostamente responsável por ataques contra o ex-prefeito do Recife.
A medida jurídica funciona como um pedido formal de esclarecimento para delimitar o alcance e os destinatários das falas antes de uma eventual apresentação de queixa-crime. A defesa da governadora sustenta que o candidato do PSB ultrapassou os limites da crítica política ao utilizar expressões de alta gravidade sem individualizar nomes nem apresentar provas.
"A peça explica que o candidato não fez uma crítica política, mas atribuiu à administração do governo estadual a liderança de uma organização clandestina dedicada à prática de atos ilícitos", aponta o documento protocolado pelos advogados da governadora. A representação acrescenta que quem faz acusações desse porte "tem o dever de nominar a pessoa a quem acusa e se responsabilizar pelos seus atos".
O Jamildo.com procurou a campanha de João Campos para pedir um posicionamento sobre a ação judicial. A assessoria indicou que por enquanto não comentará o assunto.
O embate mais intenso entre os dois candidatos ganhou força após a veiculação de uma reportagem da Record TV. A matéria alega uma conexão entre o repasse de verbas de publicidade institucional do Governo do Estado para perfis investigados por difamar João Campos.
A reportagem exibiu o registro em vídeo de uma conversa em que um funcionário público cedido ao Estado afirmava atuar em diálogo com a gestão para desgastar politicamente o ex-prefeito do Recife.
Diante da denúncia, Raquel Lyra determinou a exoneração do servidor e declarou que os contratos de comunicação seguem critérios técnicos. A gestora afirmou ainda que sofre violência política do partido adversário.
Em resposta, João Campos publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que levaria o caso aos órgãos fiscalizadores. Na quinta-feira (27), a assessoria jurídica da Frente Popular reuniu a imprensa e anunciou que ingressará com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) na Corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE), além de formalizar denúncias no MPPE, MPE, CGU, TCE-PE e na Caixa Econômica Federal.
A ação elaborada pela equipe jurídica da oposição reúne cinco eixos principais:
Suposto uso de ônibus escolares de prefeituras no transporte de militantes para a convenção partidária da governadora;
Vigilância de opositores por parte de policiais civis;
Uso da aeronave oficial adquirida pelo Estado em deslocamentos eleitorais;
Supostos gastos com publicidade governamental acima do limite legal no primeiro semestre;
Pagamentos de contratos institucionais ao site citado na reportagem da Record TV.
A discussão judicial sobre perfis na internet começou antes da reportagem nacional.
Em julho, a campanha de Raquel Lyra apresentou uma representação no TRE-PE contra mais de 500 perfis acusados de espalhar desinformação contra a governadora. O processo tramita sob segredo de justiça na Corte Eleitoral.