João Campos e Raquel Lyra entraram em embate direto na quinta-feira (27) com acusações mútuas sobre caso de supostos financiamentos a perfis de difamação
por Cynara Maíra
Publicado em 28/08/2026, às 07h27 - Atualizado às 08h32
Apesar de tecerem críticas contra os adversários desde o início de 2026, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) entraram em confronto direto na quinta-feira (27).
Evitando levar o tema para suas redes sociais até então, Raquel publicou um vídeo em seu perfil em que acusa João Campos de estar envolvido com o servidor exonerado que foi alvo da reportagem da Record TV sobre o suposto financiamento de perfis voltados a difamar o ex-prefeito do Recife.
O material com a legenda "mentira tem perna curta" mostra um vídeo de 2022 em que João Campos manda um abraço para Amisadai, o servidor exonerado, pelo nascimento de uma filha. O vídeo também acusa a Prefeitura do Recife de ter supostamente destinado recursos para o Portal de Prefeitura, site citado na reportagem.
Depois da publicação de Raquel, João Campos postou um texto em que cita que "quem deve explicações à Justiça sobre o uso de dinheiro público para destruir reputações não deveria usar a rede social para espalhar mentiras".
O socialista relatou que Amisadei "nunca foi meu amigo e nunca trabalhou em minha equipe. Já a candidata que me ataca não pode dizer o mesmo".
A troca mais direta ocorreu após a repercussão de uma reportagem da Record TV que alega o repasse de verbas públicas de publicidade do Governo do Estado para uma empresa ligada a páginas nas redes sociais investigadas por desinformação. A matéria exibiu a gravação de uma conversa em que o servidor estadual recém-exonerado afirma que mantinha conversas com o Palácio do Campo das Princesas para atuar no desgaste da imagem política do ex-prefeito.
Logo depois, João Campos publicou um vídeo em que afirma que tomaria medidas cabíveis. Na manhã de quinta-feira, o PSB anunciou que iria entrar com ações judiciais em diversas instâncias contra o suposto envolvimento de Raquel Lyra em financiamento de perfis de ataques contra João Campos.
Em entrevista coletiva realizada no Recife, o corpo jurídico da Frente Popular de Pernambuco anunciou que apresentará uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) na Corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). A peça reúne acusações distribuídas em cinco eixos principais.
Dentre eles, o grupo cita:
Além da representação eleitoral que solicita a cassação e a inelegibilidade da chapa governista, a assessoria jurídica de João Campos informou que formalizará representações por improbidade administrativa e crimes eleitorais no Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Ministério Público Eleitoral (MPE), Controladoria-Geral da União (CGU), Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e na Caixa Econômica Federal.
Antes da coletiva da oposição, a governadora Raquel Lyra negou qualquer envolvimento com estruturas de desinformação em entrevista à Rádio Grande Rio FM, em Petrolina. A gestora declarou que sua administração foca em entregas públicas e justificou a exoneração do servidor citado na matéria.
"Quem tiver de responder, responde nos órgãos competentes. Inclusive nós estamos já com as ações nos tribunais regionais eleitorais, e foi exonerado quem praticou atos e colocou o seu nome ali para que pudesse ser colocado como um suposto gabinete. Tá exonerado, não faz parte daquilo que eu faço, tá fora daqui", disse Raquel, apontando que sofre ataques e violência política promovidos pelo PSB.
Após o anúncio das medidas judiciais da Frente Popular, a campanha de Raquel Lyra divulgou nota oficial classificando a iniciativa como uma acusação sem provas. O comitê afirmou que a governadora determinou a apuração imediata do caso e declarou que a tentativa de criar fatos eleitorais receberá resposta na Justiça.
O grupo de Raquel também acusa o grupo de João Campos de financiar perfis para atacar sua campanha. Em julho, a equipe de Raquel Lyra acionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) com uma representação que acusa a campanha de João Campos de manter páginas de difamação contra a gestora. O processo corre em segredo de justiça, o que impede visualizar a tramitação do caso.
Na representação entregue à Justiça Eleitoral, os advogados da governadora listam mais de 500 contas suspeitas. A relação reúne 43 perfis associados a aliados do ex-prefeito sob a tutela do mesmo advogado, além de cerca de 450 perfis automatizados. Raquel voltou a citar a ação durante a sabatina na rádio de Petrolina.
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