Raquel Lyra nega envolvimento com "gabinete do ódio" contra João Campos e diz que tem sido vítima de ataques

Raquel Lyra rebateu acusações sobre repasses a perfis digitais, justificou a exoneração de servidor e diz que acionou a Justiça contra redes de ataques

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 27/08/2026, às 12h24 - Atualizado às 14h09

Imagem Raquel Lyra nega envolvimento com "gabinete do ódio" contra João Campos e diz que tem sido vítima de ataques

A governadora Raquel Lyra (PSD) se defendeu nesta quinta-feira (27) sobre as acusações da campanha do ex-prefeito João Campos (PSB) de que ela financiaria perfis de disseminação e ataques contra o adversário.

Em entrevista para a Rádio Grande Rio FM, de Petrolina, Raquel negou envolvimento com estrutura de desinformação e alegou ser vítima de ataques digitais.

Durante a sabatina, a gestora estadual rebateu as alegações de manter uma operação oculta na internet voltada a desgastar opositores. "Olha, eu não tô aqui para fazer gabinete de ódio. Eu não tenho nem tempo para isso. O meu serviço é trabalhar para fazer o bem sem olhar a quem, e é isso que eu vou continuar fazendo", declarou Raquel.

A governadora também justificou a exoneração de Amizadai Andrade da Silva, servidor da Caixa Econômica Federal cedido ao Estado que atuava como superintendente de operações da Arena de Pernambuco.

"Quem tiver de responder, responde nos órgãos competentes. Inclusive nós estamos já com as ações nos tribunais regionais eleitorais, e foi exonerado quem praticou atos e colocou o seu nome ali para que pudesse ser colocado como um suposto gabinete. Tá exonerado, não faz parte daquilo que eu faço, tá fora daqui", afirmou.

Ao comentar o caso, Raquel direcionou críticas ao PSB e declarou ser alvo frequente de violência política.

"Quem disso usa, disso cuida. Todo mundo conhece as velhas práticas do PSB. Eles parecem que não aceitaram uma mulher no governo e aí partem para um ataque e violência política de todas as formas", disse.

A gestora afirmou ainda que um relatório de 81 páginas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) descartou irregularidades em contratos de publicidade institucional e citou que ela própria já formalizou denúncias na Justiça Eleitoral contra perfis automatizados geridos por aliados do socialista.

As declarações da governadora ocorreram antes da entrevista coletiva da equipe jurídica da Frente Popular de Pernambuco, no Recife.

No ato, os advogados de João Campos anunciaram a apresentação de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) com alegações de suposto uso de transporte escolar em convenção partidária, monitoramento de opositores por policiais civis, uso de aeronave oficial em agendas eleitorais, despesas de publicidade acima do teto legal e repasses a perfis que estariam sendo investigados por difamação contra o socialista.

O grupo anunciou que também acionará o MPPE, MPE, TCE-PE, CGU e a Caixa Econômica Federal.

Após a coletiva da oposição, a campanha de Raquel Lyra emitiu nota oficial classificando as ações como uma tentativa de criar fatos eleitorais sem provas.

"A poucas semanas da eleição, o PSB continua usando suas velhas práticas, trocando o debate de propostas por uma coletiva de acusações. Anuncia ações que ainda não existem, baseadas numa denúncia sem provas. Quem tem trabalho a mostrar mostra trabalho; quem não tem convoca a imprensa para anunciar processos. A campanha de Raquel Lyra é feita à luz do dia, com nome, rosto e assinatura. Foi a governadora quem, diante da conduta de um servidor, determinou sua exoneração imediata e a apuração dos fatos", diz o comunicado da campanha.

Raquel Lyra também judicializou suposto gabinete do ódio

Ainda em julho, a assessoria da gestora divulgou que a campanha apresentou uma ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) contra uma suposta rede de desinformação e ataques direcionados à governadora. O grupo governista atribui a articulação dessas contas digitais à campanha de João Campos. Até o momento não há atualizações públicas sobre o requerimento, pois o processo tramita sob segredo de justiça na Corte.

Na peça jurídica enviada à imprensa na época, a defesa de Raquel listou mais de 500 perfis que seriam operados por aliados do ex-prefeito recifense, incluindo 43 contas mapeadas sob a representação de um mesmo advogado e cerca de 450 perfis automatizados. A gestora citou esse caso durante a entrevista na Grande Rio FM.