João Campos disse que acionou advogados após reportagem afirmar que a gestão Raquel Lyra fez contratos com perfis que supostamente difamam seus opositores
por Cynara Maíra
Publicado em 26/08/2026, às 08h15 - Atualizado às 09h31
O ex-prefeito do Recife e candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) publicou um vídeo na quarta-feira (26) em resposta a uma reportagem da Record TV.
O material que foi ao ar na emissora nacional alega que o Governo do Estado na gestão Raquel Lyra (PSD) teria feito repasses de verbas públicas para uma empresa ligada a páginas nas redes sociais investigadas pela Polícia Federal.
Ao criticar a situação, João Campos disse que acionará sua equipe jurídica e os órgãos de controle para apurar o caso.
A fala ocorre após uma reportagem da Record divulgar o registro em vídeo de uma conversa em que um funcionário da Caixa Econômica Federal afirma em reunião que atuava em articulação com a gestão estadual para enfraquecer a imagem política de João Campos desde o fim da eleição municipal de 2024.
O homem envolvido na conversa foi cedido à Secretaria Estadual de Turismo e seria ex-sócio de uma empresa de comunicação. A empresa em questão administra o site Portal de Prefeitura.
Na reportagem da Record, alega-se que o portal recebeu mais de R$ 180 mil do Governo de Pernambuco através do programa de contratos de publicidade institucional que a gestão tem com blogs e sites do estado. O período de venda de espaços publicitários ocorreu entre março e julho de 2026, terminando com o início do período de defeso eleitoral.
João Campos falou em seu vídeo nas redes sociais declarou que as falas da reportagem confirmam as suas queixas ao longo dos meses.
"Há mais de um ano eu venho denunciando a existência de um gabinete do ódio que tem atacado a mim, meus aliados e minha família de forma caluniosa. O que é mais grave é que um servidor relata que as decisões são tomadas dentro do palácio do governo. Nossos advogados vão tomar todas as medidas necessárias", disse.
Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Comunicação de Pernambuco (Secom-PE) informou que a publicidade do Estado é realizada exclusivamente por agências contratadas por licitação, cabendo a essas empresas a escolha dos veículos de acordo com critérios técnicos de audiência, alcance e custo.
O órgão declarou que os repasses feitos ao Portal de Prefeitura em 2026 correspondem a cerca de 0,3% do total de recursos de mídia do Estado e que todos os pagamentos estão documentados no Portal da Transparência após a comprovação da veiculação dos anúncios.
A coordenação da campanha de Raquel Lyra também rebateu as declarações em nota oficial. O comitê da governadora afirmou que a sua atuação eleitoral ocorre de forma pública, tendo como foco as ações e obras do mandato. O texto afirma que quem apresenta resultados não atua de forma oculta e declarou que o adversário tenta criar versões para atacar a gestão estadual.
Para além do posicionamento da governadora Raquel Lyra apresentado pela reportagem, o Jamildo.com procurou a campanha da governadora para pedir um posicionamento após a repercussão do caso. Quando houver um retorno essa matéria será atualizada.
Com a repercussão, o site Portal de Prefeitura divulgou uma nota em um de seus perfis secundários no Instagram, já que a página oficial está indisponível.
No texto, o veículo afirma surpresa com a veiculação da matéria e nega envolvimento com redes de ataques virtuais ou desinformação.
"O compromisso do Portal é, foi e sempre será com a informação e com o fato. Todas as notícias publicadas são baseadas em acontecimentos, sem margem para fake news. Tanto é, que até os dias atuais, não respondemos a nenhuma ação ou processo na Justiça Eleitoral por postagens que tenham faltado com a verdade", diz a nota.
O veículo rejeita a acusação de liderar uma rede de perfis falsos por meio do recurso de colaboração do Instagram, explicando que a ferramenta serve para compartilhar conteúdos em comum entre páginas de diversos segmentos. Sobre o servidor citado no material, o site afirma que o antigo sócio deixou a empresa em 2024 e não responde pelo veículo desde essa data.
A respeito das verbas publicitárias recebidas do poder público, o Portal de Prefeitura declara que os pagamentos cumprem normas legais e critérios técnicos de audiência. "A respeito de uma possível investigação policial sobre o assunto, nos colocamos sempre à disposição para colaborar com as autoridades em tudo o que for preciso", conclui o comunicado.