Porto de Suape recupera área equivalente a 77 campos de futebol e prepara terreno para novos investimentos privados no complexo portuário
por Jamildo Melo
Publicado em 26/08/2026, às 08h59 - Atualizado às 09h10
Suape retomou 55 hectares anteriormente arrendados à Vard Promar após decisão arbitral favorável à estatal.
A área de 550 mil metros quadrados tem frente d’água e poderá receber novos projetos industriais, logísticos, portuários, navais e offshore.
A decisão não afeta os 25 hectares onde funciona o Estaleiro Vard Promar.
O Complexo Industrial Portuário de Suape retomou uma área de 55 hectares que estava arrendada à Vard Promar. A reincorporação do terreno, equivalente a 550 mil metros quadrados, ocorreu após decisão arbitral favorável à estatal portuária e amplia a oferta de áreas disponíveis para novos empreendimentos em Pernambuco.
O terreno tem acesso à frente d’água e, segundo Suape, apresenta características que permitem a instalação de projetos industriais, logísticos, portuários, navais e offshore.
A estatal ainda realizará estudos técnicos para definir a destinação econômica da área.
A retomada decorre do encerramento de uma arbitragem que reconheceu a validade da rescisão unilateral do contrato de arrendamento firmado em 2010. Com a decisão, Suape poderá reassumir efetivamente a posse do terreno e iniciar os procedimentos para uma futura ocupação.
A área fazia parte de um terreno original de aproximadamente 80 hectares. Desse total, 25 hectares foram destinados à implantação do Estaleiro Vard Promar e não são atingidos pela decisão. O estaleiro, portanto, continuará funcionando normalmente.
Os outros 55 hectares permaneceram vinculados ao contrato de arrendamento que foi encerrado. De acordo com Suape, apenas 1,75 hectare dessa área estava sendo utilizado como depósito.
O acesso à frente d’água é considerado um dos principais ativos do terreno, por permitir operações que necessitam de conexão direta com o ambiente marítimo e com a infraestrutura portuária. Essa característica pode favorecer projetos relacionados às cadeias naval e offshore, além de atividades industriais, logísticas e de apoio às operações do porto.
“São 55 hectares com acesso à frente d’água e potencial para diferentes tipos de empreendimentos. Nosso objetivo agora é avaliar a melhor destinação para o terreno”, afirmou o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, em informe ao site Jamildo.com.
Segundo ele, a intenção é utilizar a área para ampliar a capacidade de atração de investimentos e geração de atividades econômicas no complexo.
Com o encerramento da disputa arbitral, Suape deverá cumprir agora os procedimentos necessários para a retomada efetiva da posse. Paralelamente, serão realizados estudos para identificar alternativas de ocupação e definir a destinação econômica do terreno.
A reincorporação da área ocorre em um momento de crescimento da movimentação do Porto de Suape. Entre janeiro e julho de 2026, foram movimentadas 16,1 milhões de toneladas de cargas, volume 21,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Os granéis líquidos concentraram 66,8% da movimentação no período. Os contêineres responderam por 25,8%, seguidos pelos granéis sólidos, com 5,6%, e pela carga geral solta, com 1,8%.
O crescimento também apareceu no número de embarcações atendidas. Nos sete primeiros meses de 2026, Suape contabilizou 969 atracações, aumento de 10,7% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado.