Ausência de Humberto Costa expõe tensão no PT e desconforto com chapa de João Campos, mas eventual insatisfação vai além do nome de Marília Arraes
por Jamildo Melo
Publicado em 24/03/2026, às 16h09 - Atualizado às 16h30
A ausência de Humberto Costa no lançamento da chapa de João Campos gerou desconforto e levantou suspeitas de tensão no PT.
O senador alegou agenda no interior, mas o gesto foi visto como tentativa de marcar posição.
Há resistência interna à convivência com Marília Arraes, com disputa potencial por votos, sobretudo femininos.
O cenário de divisão pode beneficiar adversários conservadores na corrida pelas vagas ao Senado.
O PT deve definir seu posicionamento oficial em reunião no sábado, encerrando as especulações.
A ausência do senador Humberto Costa, do PT, no lançamento da chapa majoritária de João Campos, gerou estranhamento, à esquerda, e comemoração, à direita.
A desculpa oficial para o no show era de que o senador já havia marcado eventos pelo interior do Estado, em sua pré-campanha visando à reeleição.
Não é usual criar um constrangimento para o comandante da chapa, mas o PT pareceu bater com o pé, até para afastar a impressão de que estava a reboque do jovem prefeito do PSB.
Não é só. Humberto Costa também pareceu precisar de um tempo para deglutir Marília Arraes ao seu lado, na mesma chapa.
O temor do petista parece ser tragado, pelo voto feminino. Os dois, ele e Marília, já se estranharam no passado quando ambos eram aliados no PT. Marília espirrou e eis que volta...
Sabe-se que Marília já foi até Humberto Costa e disse que queria paz e harmonia, união em favor de Lula, mas também poderia ir para cima dos votos dele, caso não houvesse entendimento.
A situação de guerra interna, se acontecer, poderia beneficiar nomes à direita como Anderson Ferreira, nome de Flávio Bolsonaro, do PL, para o Senado. São duas vagas em disputa. Tudo pode acontecer...
Para frear a especulação de palanque duplo, com o grupo de Raquel Lyra, o grupo de João Campos, de fato, parece ter buscado antecipar-se com uma chapa onde todos nomes ligados a Lula.
Caso dê certo, poderia significar que Lula avaliza o jovem João Campos para sua sucessão. Como? A eleição no Recife já é um prenúncio de eleições vindouras? É o que parece.
E é isto que parece mover adversários não declarados do prefeito e agora pré-candidato na esquerda, como o ministro Guilherme Boulos e o baiano Rui Costa, também ministro da Casa Civil de Lula. Ambos tem pretensões de suceder Lula e colocar azeitona na empada de João Campos não faz sentido.
Como registrou mais cedo o site Jamildo.com, nesta quinta-feira, Humberto Costa, que é paulista de nascença, receberá até um título de cidadão do Recife. Por sugestão de uma aliada fiel de João Paulo. João Paulo, que é pró-Raquel, a quem Rui Costa já disse ser da base de Lula, em visita ao Recife.
No sábado, o diretório do PT em Pernambuco se reúne para tomar uma decisão oficial e o segredo acaba. A briga continuará.