Quaest: impeachment de ministros do STF aparece entre as últimas prioridades na escolha para o Senado

Ataque ao STF perde espaço no voto: para a maioria dos eleitores, senador bom é quem entrega obras, não quem promete impeachment de ministros

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 10/08/2026, às 08h13 - Atualizado às 08h26

Flávio Dino, no Recife, em abril
"Tem gente que acha que dá voto falar mal do Supremo. Não dá... vão descobrir", disse Dino, em abril - Jamildo.com

A pesquisa Genial/Quaest de agosto mostra que o impeachment de ministros do STF é prioridade para apenas 11% dos eleitores na escolha para o Senado.

A principal expectativa é que os senadores tragam emendas e obras para os estados (31%), enquanto pautas ligadas ao STF aparecem entre as menos citadas.

O tema tem maior adesão entre eleitores bolsonaristas, mas não lidera nem nesse segmento.

Em palestra no Recife, o ministro Flávio Dino, do STF, afirmou que quem apostasse contra o órgão nas eleições não iria se dar bem, em uma crítica aos detratores políticos da entidade. A mais recente pesquisa Quaest parece lhe dar razão.

A defesa do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), uma das principais bandeiras de setores da oposição para a disputa ao Senado em 2026, aparece entre os atributos menos valorizados pelos eleitores na definição do voto, segundo pesquisa nacional Genial/Quaest divulgada em agosto.

De acordo com o levantamento, apenas 11% dos entrevistados afirmaram que o compromisso de um candidato com o impeachment de ministros do STF é o principal fator para a escolha do senador. O índice coloca a pauta atrás de temas ligados à atuação parlamentar e de propostas com impacto no cotidiano dos eleitores.

A principal prioridade apontada foi a capacidade de trazer emendas e obras para o estado, opção escolhida por 31% dos entrevistados. Em seguida aparecem o apoio do presidente Lula (15%), o compromisso de votar pelo fim da escala 6x1 (13%) e a defesa de uma postura independente da polarização política (12%).

Já o fato de o candidato defender o impeachment de ministros do STF (11%) supera apenas o atributo de ser apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, citado por 8% dos eleitores.

Prioridades do eleitor para o voto ao Senado

Trazer emendas e obras para o estado: 31%
Apoio de Lula: 15%
Votar contra a escala 6x1: 13%
Ser independente da polarização: 12%
Votar pelo impeachment de ministros do STF: 11%
Apoio de Bolsonaro: 8%
Nenhuma opção: 4%
Não sabe: 6%

Defesa do impeachment do STF tem maior adesão entre bolsonaristas

A pesquisa mostra que a pauta do impeachment de ministros do STF concentra maior apoio entre segmentos específicos do eleitorado. Entre os entrevistados que se identificam com o ex-presidente Jair Bolsonaro, 25% apontam essa bandeira como prioridade na escolha do senador.

O tema também registra percentual acima da média entre eleitores com ensino superior (16%) e entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos (16%).

Mesmo nesses grupos, porém, a principal demanda continua sendo a atuação dos senadores na obtenção de recursos e investimentos para os estados.

Diferenças regionais

O levantamento também apresenta diferenças entre as regiões do país. No Nordeste, os eleitores que priorizam candidatos associados ao apoio de Lula ou ao fim da escala 6x1 somam 38%, enquanto 12% priorizam candidatos ligados ao apoio de Bolsonaro ou à defesa do impeachment de ministros do STF.

No Sudeste, esse recorte é de 24% para Lula e fim da escala 6x1, contra 20% para Bolsonaro e impeachment do STF.

Já no Sul, os percentuais são de 20% e 22%, respectivamente, enquanto nas regiões Centro-Oeste e Norte há equilíbrio, com 26% para cada grupo de pautas.

A pesquisa indica ainda que a principal expectativa dos eleitores permanece voltada à atuação prática dos futuros senadores, com destaque para a obtenção de recursos e investimentos destinados aos estados.