PT e ministro do PSD querem que Raquel Lyra apoie Lula no segundo turno. Raquel já disse que pretende ficar neutra para garantir investimentos a Pernambuco
por Cynara Maíra
Publicado em 06/10/2026, às 10h42 - Atualizado às 11h15
A campanha de Lula busca ampliar alianças em Pernambuco e tenta atrair o apoio da governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) no segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), defenderam publicamente a entrada de Raquel no palanque petista.
A articulação conta com pontes já existentes na base governista, como o ministro da Pesca e Aquicultura André de Paula (PSD), além de dissidentes petistas que apoiaram a governadora no primeiro turno.
O palanque de João Campos (PSB) já atua diretamente em favor da reeleição de Lula após o resultado das urnas estaduais.
Raquel Lyra reafirmou que pretende manter a neutralidade na eleição nacional para evitar prejuízos na relação institucional e no repasse de recursos federais ao estado.
Com Lula atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, bases aliadas do presidente da República tentam novas alianças para conseguir reverter esses índices. Em Pernambuco, uma das estratégias parece ser trazer os dois lados da disputa estadual para o palanque petista.
Além de João Campos (PSB) assumir ações para auxiliar o presidente na disputa, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou na segunda-feira (05) que a legenda estaria aberta a um endosso da governadora Raquel Lyra (PSD).
Edinho ainda disse que o apoio a João Campos na eleição estadual não indicaria um rompimento com a governadora.
“Não pode fazer uma aliança com o presidente nacional do PSB, com o partido do vice-presidente da República, e não honrar essa aliança. Mas jamais foi dito qualquer coisa que agredisse a governadora Raquel Lyra. Nunca foi feita nenhuma campanha contra o seu governo”, disse o presidente do PT.
O senador reeleito Humberto Costa (PT), inclusive, conseguiu o apoio de mais de 100 prefeitos de Pernambuco, a maioria deles apoiadores da governadora Raquel Lyra. O PT também tinha dissidentes que declaravam endosso ao nome de Raquel, como o presidente licenciado do PT Recife, Osmar Ricardo, o deputado estadual reeleito João Paulo Lima, e o prefeito de Tabira. Flávio Marques (PT).
Já nesta terça-feira (06), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), correligionário de Raquel, disse ao SBT News que pedirá para a governadora rever sua neutralidade, em favor do presidente Lula.
"Vou falar com a Raquel Lyra. Se depender de mim, ela anuncia o apoio amanhã", declarou o ministro.
Uma figura que poderia auxiliar nessa articulação seria o ministro da Agricultura do governo Lula, André de Paula (PSD), que chegou a dizer que era o "comandante da chapa Luquel" em agenda com a governadora no Morro da Conceição, poucos dias antes do primeiro turno.
André foi um dos responsáveis por articular a migração da governadora ao PSD, de forma a conseguir mais recursos de campanha e ter maior aproximação com o presidente.
Apesar de ter agradecido ao presidente Lula (PT) pela parceria logo após ser reeleita em primeiro turno em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) já disse em suas primeiras entrevistas após a reeleição que pretende manter a neutralidade na disputa presidencial em segundo turno.
Segundo Raquel, a ideia é evitar indisposições com quem for eleito para presidente do Brasil. Em diversos momentos, a gestora citou impasses do PSB com líderes nacionais que dificultaram o acesso pernambucano a repasses e projetos. Ao longo de toda campanha, Raquel se declarou pernambuquista, evitando tomar lado na disputa presidencial.
A estratégia seria evitar uma posição para garantir que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, Pernambuco sofra retaliações por parte do Governo Federal.
Apesar da maioria lulista em Pernambuco, a parcela do eleitorado bolsonarista no estado também auxiliou para que a gestora conquistasse a vitória em primeiro turno.