Datafolha publica 1ª pesquisa sobre disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

Pesquisa Datafolha será feita entre terça e quinta-feira e vai medir intenção de voto, rejeição, decisão do eleitor e avaliação do governo Lula

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 06/10/2026, às 10h13 - Atualizado às 10h23

Lula e Flávio Bolsonaro falam ao microfone
Primeiro Datafolha após as urnas vai mostrar como começa a disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro pela Presidência - Ricardo Stuckert/PR - Beto Barata/PL

O Datafolha realiza nesta semana sua primeira pesquisa nacional do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro

O levantamento ocorre depois de Flávio terminar o primeiro turno à frente do presidente por cerca de 2,2 milhões de votos

Além da intenção de voto, o instituto vai investigar rejeição, possibilidade de mudança de candidato e comportamento dos eleitores no primeiro turno

O Datafolha entra em campo nesta terça-feira (6) para realizar a primeira pesquisa do instituto sobre o segundo turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

As entrevistas seguem até quinta-feira (8), quando o resultado deverá ser divulgado à noite, pelo site Jamildo.com.

O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo, prevê 2.520 entrevistas presenciais. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa ganha importância por ser a primeira fotografia do eleitorado feita pelo Datafolha depois do resultado das urnas.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença ficou em cerca de 2,2 milhões de votos.

Antes da votação, o último Datafolha nacional apontava cenário diferente: Lula aparecia com 45% dos votos válidos e Flávio, com 40%. Em uma simulação de segundo turno, Lula tinha 48% dos votos totais, contra 45% de Flávio, diferença dentro da margem de erro.

O que o Datafolha vai perguntar

O questionário começa pela intenção espontânea de voto. O eleitor responde em quem pretende votar para presidente sem receber previamente os nomes dos candidatos.

Depois, o instituto apresenta Lula e Flávio Bolsonaro e pergunta novamente a intenção de voto, desta vez de forma estimulada.

O Datafolha também pretende verificar se o eleitor sabe o número do candidato que pretende digitar na urna, além de perguntar se a decisão de voto já está consolidada ou se ainda pode mudar.

Outro ponto do levantamento será a rejeição aos dois candidatos. A avaliação do governo Lula também faz parte do questionário.

Transferência de votos entra na disputa

A pesquisa poderá oferecer os primeiros sinais sobre o destino dos votos dados no primeiro turno aos candidatos que ficaram fora da disputa.

Flávio Bolsonaro recebeu apoios de lideranças que estavam em outros campos no primeiro turno, entre elas Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Lula, por sua vez, iniciou o segundo turno discutindo mudanças na estratégia e formas de ampliar sua votação, inclusive entre os eleitores que não compareceram às urnas.

O Datafolha vai perguntar em quem cada entrevistado votou no primeiro turno, o que permitirá cruzar a intenção atual com a escolha feita no domingo.

O instituto também perguntará quando o eleitor definiu seu voto — se pelo menos um mês antes, 15 dias antes, uma semana antes, na véspera ou no próprio dia da eleição.

Abstenção também será investigada

Outro ponto relevante será o comportamento de quem não compareceu às urnas no primeiro turno.

A abstenção chegou a aproximadamente 33 milhões de eleitores, ou 21% do eleitorado, tornando esse grupo um dos focos das campanhas no segundo turno.

Aos que não votaram, o Datafolha apresentará possíveis razões para a ausência, como viagem, problemas de saúde, desinteresse pela eleição, distância do local de votação, falta de dinheiro para o deslocamento ou necessidade de cuidar de familiares.

Mais do que indicar apenas quem aparece numericamente à frente, a primeira pesquisa do segundo turno poderá mostrar o tamanho da parcela do eleitorado ainda disponível para mudança de voto e como começa a redistribuição das escolhas feitas no primeiro turno.