PSOL lança Bancada da Macumba para fortalecer representação política dos povos de terreiro. Proposta coloca no centro do debate a liberdade religiosa
por Jamildo Melo
Publicado em 07/08/2026, às 08h52 - Atualizado às 09h03
O PSOL lança nesta sexta-feira (7) a Bancada da Macumba, articulação nacional que reúne seis candidatos à Câmara dos Deputados ligados às religiões de matriz africana em cinco estados.
A iniciativa é apresentada como inédita e terá Pernambuco representado por Renato Fonseca.
O grupo defende liberdade religiosa, combate ao racismo religioso e maior representação política dos povos de terreiro.
O PSOL lança nesta sexta-feira (7), em São Paulo e no Recife também, a Bancada da Macumba, uma articulação nacional que reúne candidatos à Câmara dos Deputados ligados às religiões de matriz africana.
Segundo o partido, trata-se de uma iniciativa inédita ao organizar, em âmbito nacional, candidaturas com essa identidade política e religiosa para atuação coordenada durante as eleições.
Não há registro de uma articulação semelhante envolvendo candidatos de diferentes estados com essa proposta específica.
Pernambuco integra a iniciativa por meio do candidato a deputado federal Renato Fonseca (PSOL), produtor cultural, educador social, fundador da plataforma Macumba Ordinária e um dos idealizadores da articulação.
O lançamento oficial está marcado para as 18h, na Rua São Martinho, nº 12, no bairro Campos Elíseos, em São Paulo.
De acordo com o PSOL, a criação da Bancada da Macumba busca ampliar a representação política dos povos de terreiro e defender pautas como liberdade religiosa, combate ao racismo religioso, igualdade racial e direitos humanos.
A articulação é formada por seis candidatos distribuídos em cinco estados: Adriano Fiúza (Distrito Federal), Mãe Su de Nanã (São Paulo), Renato Fonseca (Pernambuco), Wesley Mendes (Bahia), Mãe Bernadete de Oxóssi (Bahia) e Ariane Magalhães (Rio de Janeiro).
Segundo Renato Fonseca, a proposta vai além da representação religiosa.
"A Bancada da Macumba não é apenas sobre religião. É sobre garantir que um segmento fundamental da população negra tenha representação política e participe da construção das políticas públicas. Somos um movimento que fala de combate ao racismo, cultura, educação, direitos humanos, combate à fome e defesa da democracia", afirmou, em nota ao site Jamildo.com.
O candidato também destacou a presença de Pernambuco na articulação nacional, citando a tradição do estado ligada aos terreiros, à Jurema Sagrada, ao Xangô, ao Maracatu e a outras manifestações da cultura afro-brasileira.
Para o PSOL, a iniciativa surge em um contexto de denúncias de intolerância religiosa e da busca por maior representação institucional das comunidades de matriz africana no Congresso Nacional.
A legenda afirma que pretende construir uma atuação conjunta entre os candidatos para defender políticas públicas voltadas aos povos de terreiro.