Mendonça e Humberto já trocaram acusações sobre educação, governos Temer e Bolsonaro e agora disputam espaço na reta final de uma corrida ao Senado
por Jamildo Melo
Publicado em 30/09/2026, às 16h47 - Atualizado às 17h09
Mendonça Filho voltou a atacar o PT durante carreata da direita em Palmares e defendeu um Senado mais ativo na relação com o STF
A declaração acrescenta um novo capítulo à disputa com Humberto Costa, adversário com quem já trocou acusações durante a campanha
Real Time Big Data mostrou os dois com 20%, enquanto a Quaest mais recente registrou Humberto com 17% e Mendonça com 10%
O candidato ao Senado Mendonça Filho (PL) voltou a elevar o tom contra o PT na noite desta terça-feira (29), durante uma carreata em Palmares, na Mata Sul de Pernambuco.
Sem citar nominalmente o senador Humberto Costa (PT), Mendonça afirmou que o país estaria “abandonado pelo PT” e apresentou sua candidatura como parte de um projeto de oposição ao partido.
A manifestação ocorre poucos dias depois de novos capítulos da disputa entre os dois candidatos ao Senado e adiciona combustível a um confronto que ganhou espaço na reta final da campanha.
Mendonça participou da mobilização ao lado de Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, e de Carlos Sant’Anna (Novo), também candidato ao Senado.
Outros candidatos ligados à direita pernambucana participaram do ato, que havia sido anunciado previamente como parte da agenda de Alfredo Gaspar no Estado.
No discurso, Mendonça colocou a relação entre Senado e Supremo Tribunal Federal no centro de sua campanha.
“Eu preciso chegar ao Senado, não por questão pessoal ou vaidade, é porque o Senado Federal é a casa das grandes disputas que ocorrerão no Brasil”, afirmou, em informe ao site Jamildo.com.
O candidato disse ainda que pretende atuar para que o STF respeite, segundo suas palavras, o Parlamento e a Constituição.
“Esse que está aqui falando, matuto do Agreste, não vai se ajoelhar, não vai se dobrar ao STF, porque ninguém está acima da Constituição Federal e ninguém está acima do povo brasileiro”, declarou.
Na mesma fala, Mendonça levou o confronto para o campo partidário.
“O homem e a mulher de bem do Brasil não têm sossego porque o país está abandonado pelo PT. Então temos que nos mobilizar para salvar o Brasil”, afirmou.
A declaração expressa a posição política do candidato e deve ser entendida dentro da estratégia discursiva da campanha do PL, que busca nacionalizar a disputa pelo Senado a partir de temas como governo Lula, Supremo Tribunal Federal e oposição ao PT.
Mendonça também afirmou que pretende representar no Senado trabalhadores, empreendedores e setores que, segundo ele, produzem riqueza no país.
Embora Humberto Costa não tenha sido citado nominalmente no discurso de Palmares, a crítica ao PT ocorre depois de confrontos diretos entre os dois.
Em debate realizado no início de setembro, Humberto chamou o adversário de “Mendonça Mãos de Tesoura” ao criticar a atuação do então ministro da Educação no governo Michel Temer.
Mendonça respondeu acusando Humberto de mentir e atribuiu aos governos petistas problemas no Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies.
Em outro momento daquele debate, Humberto acusou Mendonça de tentar se afastar politicamente dos governos Temer e Bolsonaro. Segundo o senador, essas administrações teriam prejudicado Pernambuco, argumento contestado pelo candidato do PL.
O confronto ficou ainda mais nacionalizado na última sexta-feira (25), quando o presidente Lula participou de ato eleitoral no Recife ao lado de Humberto Costa, Marília Arraes e João Campos.
No palanque, Lula afirmou que Mendonça “não era do bem” e pediu aos eleitores votos para Humberto e Marília ao Senado.
A ofensiva ocorre em uma eleição na qual Pernambuco escolherá dois senadores, o que torna especialmente relevante a disputa pelo segundo voto dos eleitores.
Os institutos mais recentes apresentam cenários diferentes.
A pesquisa Real Time Big Data, divulgada na segunda-feira (28), registrou Marília Arraes com 25% e Mendonça Filho e Humberto Costa numericamente empatados com 20%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 23 e 26 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Já a Quaest divulgada na terça-feira (29), portanto mais recente, mostrou Marília com 19%, Humberto com 17% e Mendonça com 10%. Eduardo da Fonte apareceu com 7%.
A Quaest entrevistou presencialmente 1.302 eleitores entre 25 e 28 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais. Como estão em disputa duas cadeiras, o instituto calcula os percentuais considerando conjuntamente as menções para primeiro e segundo votos.
As diferenças entre os levantamentos recomendam cautela na comparação direta dos números. Pesquisas representam o cenário encontrado em cada amostra e período de coleta e não constituem previsão do resultado das urnas.
Na reta final, porém, está claro que Mendonça e Humberto transformaram a disputa pelo Senado também em um confronto entre dois campos nacionais: de um lado, o candidato do PL associado à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro; do outro, o senador do PT apoiado diretamente pelo presidente Lula.