Lula diz que Mendonça Filho 'não era do bem' durante ato no Recife

Lula mira disputa pelo Senado e diz, no Recife, que Mendonça Filho “não era do bem”. Candidato do PL está tecnicamente empatado com Humberto e Marília

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 25/09/2026, às 15h49 - Atualizado às 16h26

Com Humberto Costa e Marília Arraes no ato no Recife Antigo, Lula atacou Mendonça Filho. O deputado do PL, que faz oposição ao governo federal, avançou um ponto no Datafolha e entrou na margem de empate com os dois candidatos apoiados pelo presidente.
Com Humberto Costa e Marília Arraes no ato no Recife Antigo, Lula atacou Mendonça Filho, do PL, que faz oposição ao governo - Otávio Gaudêncio /Jamildo.com

Lula afirmou no Recife que Mendonça Filho “não era do bem”, levando o confronto com o candidato do PL para o ato da Frente Popular

Mendonça chegou a 13% no Datafolha e está tecnicamente empatado com Marília Arraes, que tem 19%, e Humberto Costa, com 17%

O deputado tem feito oposição ao governo Lula e defende pautas conservadoras e maior atuação do Senado sobre o STF

O presidente Lula (PT) direcionou parte de seu discurso no Recife, nesta sexta-feira (25), ao candidato ao Senado Mendonça Filho (PL). Durante o ato eleitoral no Recife Antigo, ao lado de João Campos (PSB) e dos candidatos ao Senado Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), Lula afirmou que Mendonça “não era do bem”.

A declaração coloca diretamente na disputa nacionalizada pelo Senado um candidato que vem fazendo oposição ao governo Lula e que aparece no grupo da frente das pesquisas em Pernambuco.

No seu discurso, Lula reconheceu a trajetória de Humberto e pediu voto para ele e Marília Arraes ao Senado, em uma chapa conjunta alinhada ao seu projeto para o país. "Vocês não podem votar em alguém que não esteja ladeado comigo e com João. Eu queria pedir pra vocês, vocês vão votar em Marília, depois vocês vão votar em Humberto", afirmou o presidente.

No Datafolha divulgado nesta quinta-feira (24), Mendonça chegou a 13% das intenções de voto, contra 12% no levantamento anterior. Marília registra 19% e Humberto, 17%. Considerada a margem de erro de três pontos percentuais, os três estão tecnicamente empatados.

O movimento também aparece em outros levantamentos, embora os percentuais variem de acordo com a metodologia. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 15 de setembro, Mendonça marcou 21%, contra 20% de Humberto e 27% de Marília.

Já na Simplex/CBN divulgada nesta semana, Mendonça apareceu com 9%, Humberto com 12,9% e Marília com 17,9%.

Lula entra diretamente na disputa pelo Senado

A crítica foi feita em um ato organizado para reforçar a aliança de Lula com João Campos na reta final da campanha estadual. A caminhada saiu do Cais de Santa Rita e seguiu até o Marco Zero, reunindo integrantes da Frente Popular. Humberto Costa e Marília Arraes, candidatos ao Senado na chapa de João, participaram da mobilização.

O ataque a Mendonça ocorre, portanto, num momento em que o candidato do PL disputa diretamente uma das duas vagas com os dois nomes apoiados por Lula.

Mendonça, por sua vez, construiu a campanha combinando o apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco com o alinhamento nacional ao PL e a oposição ao governo Lula.

O deputado exerce atualmente a vice-liderança da oposição ao governo na Câmara e, na campanha, tem buscado consolidar sua identificação com o eleitorado conservador.

Mendonça fez críticas ao campo de Lula no PodJá

Em entrevista ao PodJá, do Jamildo.com, Mendonça apresentou sua candidatura como representante de eleitores conservadores e liberais e defendeu bandeiras associadas ao PL. O candidato também sustentou mudanças na relação entre Senado e Supremo Tribunal Federal, defendendo maior fiscalização sobre a Corte.

A postura de oposição também apareceu em atos de campanha. Em manifestação realizada no Recife no Sete de Setembro, Mendonça adotou discurso contrário ao PT e afirmou que, se eleito senador, não hesitaria em votar pelo impeachment de ministros do STF caso entendesse presentes as condições para isso.

Em outra sabatina, o candidato criticou decisões individuais de ministros do Supremo, defendeu maior atuação fiscalizadora do Senado e chegou a propor uma mudança no nome do STF para “Corte Constitucional do Brasil”.

A declaração de Lula nesta sexta leva esse confronto para o palanque pernambucano justamente na reta final da eleição, quando Mendonça aparece dentro da margem de empate com os dois candidatos ao Senado que dividiam o ato com o presidente.

Ato de Lula teve bets e disputa estadual no centro

Além do confronto eleitoral, Lula aproveitou a passagem pelo Recife para anunciar uma ofensiva contra as casas de apostas online.

Durante a caminhada, o presidente escreveu e exibiu um cartaz com a expressão “fim das bets” ao lado de João Campos. Lula afirmou que pretende adotar medidas contra o setor e disse que o dinheiro destinado às apostas deveria permanecer no orçamento das famílias.

O tema ganhou peso particular em Pernambuco porque Raquel Lyra vinha utilizando declarações do próprio Lula contra as bets para questionar João Campos pela redução, durante sua gestão na Prefeitura do Recife, da alíquota do ISS cobrada das empresas do segmento.

João, em entrevista ao PodJá, declarou ser contrário às apostas, mas defendeu a tributação adotada pelo Recife sob o argumento de que ela ampliou a arrecadação municipal sobre uma atividade regulamentada nacionalmente.

O ato desta sexta, portanto, reuniu em um mesmo palanque algumas das principais disputas da reta final em Pernambuco: a tentativa de João Campos de reforçar sua associação com Lula, a defesa das candidaturas de Humberto e Marília ao Senado e, agora, um ataque nominal do presidente a Mendonça Filho, candidato do PL que aparece no grupo da frente das pesquisas.