Marília Arraes afirmou que não desistirá de candidatura ao Senado e recebeu apoio de um dos nomes cotados para vice de João Campos
por Cynara Maíra
Publicado em 02/03/2026, às 07h30
Marília Arraes publicou vídeo reafirmando que sua candidatura ao Senado "não tem volta", rejeitando tentativas de aliados de João Campos de empurrá-la para a Câmara Federal.
O presidente da Alepe, Álvaro Porto (PSDB), defendeu publicamente o nome de Marília para a chapa majoritária de João Campos.
Porto é cotado para ser o vice de João e possui histórico de apoio a Marília desde a eleição de 2020.
No PT, a ala de Humberto Costa teme que a candidatura de Marília divida os votos da esquerda e beneficie adversários de centro ou direita.
Carlos Lupi confirmou que Marília se filiará ao PDT em março, garantindo legenda para o projeto majoritário.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, chega ao Recife na quinta-feira para tentar mediar o impasse nas alianças estaduais.
Após aliados do prefeito João Campos (PSB) cogitarem o posicionamento da ex-deputada Marília Arraes (Solidariedade) para uma vaga na Câmara dos Deputados, a política deu um recado sobre seu projeto político em 2026.
Em vídeo nas redes sociais no domingo (01), Marília afirmou que sua candidatura ao Senado "não tem volta".
Na gravação, Marília declarou que não tem o direito de recuar diante de "mais de 40% da população de Pernambuco" que deseja seu nome na Casa Alta, em referência aos índices da Pesquisa Datafolha.
Ela reforçou que João Campos é seu governador e Lula (PT) seu presidente, mas mandou um recado sobre as negociações de bastidor. "A gente precisa ter força para aguentar a pressão. E quem não tiver força para aguentar a pressão, fique dentro de casa", disse a ex-deputada.
A fala sobre "aguentar a pressão" seria uma referência aos aliados de João Campos que desejam retirar Marília da disputa ao Senado, entre eles setores do Partido dos Trabalhadores (PT).
Nomes ligados ao senador Humberto Costa (PT) considerarem que o perfil da ex-deputada é muito semelhante ao do petista. O receio é que a divisão de votos da esquerda prejudique a reeleição de Humberto e abra espaço para nomes de centro ou do campo bolsonarista.
Nesta eleição, os eleitores votarão em dois nomes ao Senado. O principal ponto de crítica dos adversários é o tamanho do partido de Marília, já que o Solidariedade tem menor Fundo Partidário que o restante das legendas que pleiteiam o Senado.
Cogita-se que Marília deva rumor para outro partido.
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou na semana passada que a legenda está em negociações avançadas para trazer Marília ao partido. O político afirmou que a missão será garantir uma posição para ex-deputada ao Senado. Lupi, inclusive, não descarta uma aliança com Raquel Lyra.
"Se ela [Marília] está vindo para o partido para concorrer ao Senado, preciso de uma composição que garanta isso. Por isso, podemos evoluir para o apoio à Raquel, caso haja necessidade. Não é a hipótese favorita, mas pode acontecer", declarou em entrevista para Folha de S. Paulo.
Apesar da pressão interna na base de João Campos, Marília recebeu o apoio político do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado Álvaro Porto (PSDB).
No sábado (28), Porto defendeu abertamente o nome da ex-deputada para compor a chapa de João Campos ao Senado. A declaração ocorreu durante agendas em Canhotinho, reduto político de Porto administrado pela prefeita Sandra Paes, sua esposa.
Álvaro Porto é um dos nomes cotados para assumir o posto de vice na chapa de João Campos em uma eventual candidatura do socialista ao Governo do Estado.
O parlamentar afirmou que Marília reúne as credenciais de representatividade e experiência necessárias para uma chapa competitiva. Esta é a primeira defesa explícita de um nome para a corrida ao Senado pelo presidente da Alepe, que já participou de atos com outros postulantes, como Miguel Coelho (UB) e Silvio Costa Filho (Republicanos).
O histórico entre os dois não é novo. Na eleição municipal de 2020, Álvaro Porto apoiou Marília Arraes contra João Campos na disputa pela Prefeitura do Recife.
Atualmente, os números de Marília nas pesquisas de intenção de voto a colocam em posição favorável, o que dificulta a estratégia de aliados que tentam convencê-la a disputar uma vaga proporcional na Câmara dos Deputados.