Lula e Trump discutem cooperação contra crime organizado em ligação telefônica

Conversa de Lula e Trump abordou combate à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos e troca de informações entre os dois países

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 26/01/2026, às 17h43

Lula e Trump apertando as mãos e sorrindo
O encontro durou 50 minutos. - Ricardo Stuckert / PR

Lula e Trump discutiram cooperação bilateral contra o crime organizado

Brasil propôs ampliar ações contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas

Receita Federal investiga uso de offshores em Delaware para ocultar recursos

Governo brasileiro traduziu material técnico para subsidiar diálogo com os EUA

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ações conjuntas contra o crime organizado em conversa telefônica realizada na manhã desta segunda-feira (26). O diálogo abordou possibilidades de ampliar a cooperação bilateral em áreas ligadas à repressão financeira e ao tráfico ilícito.

Segundo nota divulgada pelo governo brasileiro, Lula retomou proposta enviada ao Departamento de Estado em dezembro para reforçar mecanismos de colaboração entre os dois países.

O presidente defendeu o aprofundamento da parceria no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além do congelamento de ativos de organizações criminosas e do intercâmbio de informações sobre transações financeiras. De acordo com o comunicado oficial, a iniciativa foi bem recebida pelo presidente norte-americano.

O tema já havia sido discutido em conversa anterior, realizada em dezembro, quando Lula mencionou o uso do estado de Delaware como estrutura para ocultação de recursos de origem ilícita no Brasil. Na ocasião, o assunto foi tratado após apresentação técnica realizada pelo secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, em reunião no Palácio do Planalto com ministros e o presidente.

De acordo com investigações da Receita Federal, o Grupo Refit teria movimentado cerca de R$ 72 bilhões em um ano por meio de empresas offshore registradas em Delaware, com o objetivo de ocultar lucros decorrentes de fraudes fiscais. O estado norte-americano é frequentemente citado em relatórios internacionais como jurisdição utilizada para planejamento tributário e estruturas societárias complexas.

Após a reunião no Planalto, Lula solicitou a tradução para o inglês do material apresentado pela Receita Federal, com a finalidade de subsidiar o diálogo com o governo norte-americano sobre o caso e sobre medidas de cooperação internacional no enfrentamento a crimes financeiros.