Kassio Nunes fará reunião com campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro em meio a judicializações

Kassio Nunes se reúne nesta terça (13) com Lula e Flávio Bolsonaro como os candidatos no segundo turno na eleição de 2026

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 13/10/2026, às 08h32

Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reúne as equipes jurídicas de Lula e Flávio Bolsonaro nesta terça-feira (13) para tratar dos atritos da reta final.

A audiência ocorre após Nunes Marques ordenar a derrubada do canal "Exército de Lula", que acabou liberado pelo corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva.

A área técnica do tribunal concluiu relatório preliminar informando que não identificou as notícias falsas citadas pela coligação do PL dentro do grupo.

Pedidos de destaque apresentados por Nunes Marques suspenderam três julgamentos virtuais que já tinham placar de 5 a 1 a favor de pedidos da campanha do PT.

O primeiro turno e a primeira semana do segundo turno somam quase 800 processos judiciais protocolados no TSE pelas duas candidaturas.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, marcou para a tarde desta terça-feira (13), às 15h30, uma reunião com os representantes e coordenadores jurídicos das campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O encontro ocorre após uma série de decisões provisórias divergentes entre os ministros da Corte e o avanço de ações judiciais na reta final da disputa nacional.

O principal foco de tensão no tribunal envolve o canal de WhatsApp "Exército de Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e com mais de 3,7 milhões de participantes.

No domingo (11), Nunes Marques ordenou monocraticamente a suspensão do grupo após representação da coligação do PL, que apontava a circulação de notícias falsas sobre o corte do Bolsa Família, aposentadorias e declarações religiosas.

Horas depois da ordem de bloqueio, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o funcionamento do canal. Cueva registrou em sua decisão que a campanha do senador procurou a presidência do tribunal minutos após a própria Corregedoria cobrar provas adicionais nos autos originais, advertindo que abusos pontuais não autorizam a censura prévia de toda uma plataforma de comunicação.

Após a decisão do corregedor, Nunes Marques solicitou um parecer com urgência da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE. Em relatório, a unidade técnica informou que não encontrou os conteúdos desinformativos alegados pela equipe do PL dentro do canal.

A relação entre o tribunal e a campanha petista também enfrentou atritos no plenário virtual. Nunes Marques paralisou três julgamentos por meio de pedidos de destaque quando já havia maioria formada de cinco votos a um contra posicionamentos do vice-presidente do TSE, André Mendonça.

Os processos tratam de pedidos do PT para remover peças publicitárias de aliados de Flávio Bolsonaro que associavam Lula a facções criminosas. Com o pedido de destaque, as análises terão que recomeçar do zero em sessões presenciais.

Durante atividade de campanha, Lula criticou a atuação da presidência da Corte e declarou que a Justiça Eleitoral não pode adotar posições partidárias durante o processo de votação.

"Eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha. Isso é visível e já foi denunciado. Não pode é o presidente da Corte Eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento, da igualdade de procedimentos", disse o presidente.

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro sustenta perante o tribunal que a estrutura digital de Janones atua para contornar as regras da plataforma Meta e recircular desinformações já proibidas pela Justiça. Para contrapor a rede montada pelos petistas, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) abriu o canal "Tropa do Flávio", que ultrapassou a marca de 1 milhão de inscritos no aplicativo.

A eleição presidencial de 2026 tem o maior volume de litígios jurídicos entre candidatos. Dados do TSE apontam que 698 processos entre as duas campanhas deram entrada na Corte até o primeiro turno, aos quais se somaram outras 85 ações apresentadas na primeira semana do segundo turno.