João Campos se soma a aliados para criticar saúde na gestão Raquel Lyra; gestora mostra investimentos e critica PSB

Membros da oposição alinhados com João Campos já criticaram situação da saúde em Pernambuco. Raquel Lyra chama situação anterior de "maquiagem"

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 02/06/2026, às 08h35 - Atualizado às 09h21

João Campos em corredor ao lado de pessoas. Parede está escrito "Agora tem especialistas"
Raquel Lyra, Priscila Krause e Zilda Cavalcanti inauguraram requalificação do Bloco Cirúrgico do Hospital Otávio de Freitas, no Recife - Edson Holanda/PCR-

O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), publicou um vídeo nas redes sociais na segunda-feira (1º) com críticas à gestão da saúde pública estadual. Poucas horas depois, a governadora Raquel Lyra (PSD) postou uma foto em que a legenda detalha os investimentos realizados pelo governo em hospitais pernambucanos.

João apontou em seu material que o investimento em saúde caiu de 18,8% da receita estadual em 2022 para 15,8% em 2025. Essa alegação já ocorrera durante a coletiva de imprensa de deputados estaduais do PSB sobre a saúde no estado.

Segundo João Campos, essa diferença seria uma redução de R$ 1,5 bilhão que o Estado deixou de aplicar no setor em um único ano. O pré-candidato afirmou ainda que a gestão não concluiu uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA)  no período e criticou a superlotação nos grandes complexos hospitalares da Região Metropolitana. 

O socialista também alfinetou que as mudanças seriam apenas nas fachadas dos prédios. 

Em resposta indireta pelas redes, Raquel Lyra rebateu as críticas mostrando a entrega de duas novas salas operatórias e uma sala de recuperação pós-anestésica no Hospital Otávio de Freitas, no Recife. A gestora afirmou que o local agora tem capacidade para realizar até 120 cirurgias por mês.

Na publicação, a governadora declarou que a população não aguentava mais o abandono, o discurso fácil e a maquiagem das gestões anteriores. Os últimos 16 anos antes da gestora assumir foram no comando do PSB, alguns deles com o pai de Raquel como vice de Eduardo Campos. 

Instrumentalização política da saúde na pré-campanha

O embate direto entre os dois principais postulantes ao Palácio do Campo das Princesas ocorre uma semana após os deputados estaduais da bancada de oposição fazerem uma coletiva de imprensa na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para reclamar de problemas estruturais graves na rede de saúde.

Os parlamentares Sileno Guedes, Rodrigo Farias, Diogo Moraes e Eriberto Filho, todos do PSB, afirmaram que os hospitais da Restauração, Agamenon Magalhães, Otávio de Freitas e Getúlio Vargas enfrentam um cenário de colapso. O grupo apresentou relatórios técnicos detalhando falta de leitos, elevadores quebrados e até uma infestação de roedores.

No dia seguinte, quarta-feira (27), a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, convocou uma entrevista coletiva para rebater as acusações da oposição.

A gestora contestou o dado de que o Estado perdeu 226 leitos nos últimos três anos e cobrou transparência dos deputados sobre a origem desses números.

Zilda Cavalcanti argumentou que o governo abriu 670 novos leitos definitivos na rede e que o orçamento total executado no setor cresceu 31,6% desde 2022, saltando de R$ 8,67 bilhões para R$ 11,42 bilhões. A secretária defendeu que as reformas externas fazem parte de um cronograma técnico e seguro, negando a tese de melhorias puramente estéticas, como a melhoria das fachadas.