João Campos rejeita rótulo de oligarquia de esquerda em Pernambuco e afirma ser perseguido por aliados de Raquel

Em entrevista, João Campos afirmou que aliados de Raquel Lyra criaram milícia digital para atacá-lo, cita o pai Eduardo Campos como principal inspiração

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 04/08/2026, às 07h38 - Atualizado às 08h40

João Campos fala ao microfone enquanto sorri. Ao fundo Carlos Costa e Victor Marques também sorriem. Mais ao fundo escrito "chega junto pernambuco"
João Campos é candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSB - Edson Holanda

O ex-prefeito do Recife e candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), concedeu na segunda-feira (03) entrevista para o programa Frente a Frente, da Folha de São Paulo e Uol. 

Em fala para os jornalistas Daniela Lima e Fábio Zanini, João Campos rejeitou o rótulo de que o histórico familiar na política seria uma oligarquia de esquerda, afirmou que sofre perseguição por aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) e relembrou o caso de monitoramento pela Polícia Civil do Estado contra um de seus secretários. 

A entrevista é a primeira do socialista em um veículo de comunicação oficialmente como candidato ao Governo de Pernambuco. João Campos se apresentou como nome da coligação Frente Popular no sábado (01), em evento no Clube Internacional do Recife. 

Ao ser questionado sobre a atuação de familiares na história política pernambucana, o candidato classificou a tese de oligarquia como uma "mentira".

João argumentou que todos os mandatos da família vieram do voto popular e destacou que seu grupo sempre enfrentou a oposição da elite econômica local. "Todos os mandatos foram conquistados por voto popular, por votos democráticos. Nós sempre tivemos uma resistência de parte significativa da elite econômica do estado", declarou.

Na pauta sobre o ambiente eleitoral, João Campos acusou o entorno da governadora de estruturar uma rede de ataques cibernéticos e desinformação para desgastar sua imagem.

"Foi montada uma estrutura de ódio, de ataque, de fake news, um verdadeiro gabinete do ódio, lastreado pelos apoiadores da governadora, possivelmente financiado de alguma forma não esclarecida. É uma prática da extrema-direita que foi utilizada pelo entorno da governadora", disse.

O candidato criticou a ação de monitoramento feita por agentes da Polícia Civil contra o veículo oficial utilizado pelo secretário municipal de Articulação Política, Gustavo Monteiro.

João Campos classificou o episódio de "arapongagem" e apontou motivação política na conduta da gestão estadual. "Colocaram um rastreador num carro da prefeitura de um secretário de governo. Passou 90 dias sendo rastreado por dois delegados e oito policiais civis de forma clandestina. Isso é um ato criminoso, liderado e confessado pelo próprio secretário de Defesa Social", afirmou.

Ao abordar a memória do pai, o ex-governador Eduardo Campos, o candidato pontuou que enxerga o legado familiar como uma referência política e não como um fardo.

"Meu pai é a pessoa que mais me inspira na minha vida. Eu não carrego essa história dele como um peso, eu carrego como uma referência. Em vez de colocar nas costas, eu coloco na frente", declarou, citando os ensinamentos do pai sobre manter a capacidade de indignação diante dos problemas sociais.

No campo administrativo, o presidente nacional do PSB voltou a contrapor os investimentos da Prefeitura do Recife com o ritmo de entregas do Governo do Estado. O socialista reforçou que sua pré-campanha conta com o respaldo direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), projetando repetir no estado a parceria  entre Eduardo Campos e o governo federal. 

Uma das estratégias dos socialistas para assegurar votos para João Campos seria polarizar a disputa vinculando a governadora ao bolsonarismo, enquanto captaria os votos do eleitorado de Lula, que é maioria no estado. Já na convenção, nomes como Dani Portela e Ivete Caetano, ambas do PT, atribuíram Raquel ao grupo que endossa o nome de Flávio Bolsonaro.