João Campos diz que governa sem perseguir e promete colocar PE no lugar que merece

Fala de João Campos seria uma indireta para gestão Raquel Lyra. Socialista alega que tem sofrido perseguição política. Declaração ocorreu em escuta popular

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 16/07/2026, às 09h58 - Atualizado às 10h47

João Campos fala ao microfone enquanto sorri. Ao fundo Carlos Costa e Victor Marques também sorriem. Mais ao fundo escrito "chega junto pernambuco"
João Campos esteve em programa de escuta popular em Afogados, Zona Oeste do Recife - Edson Holanda

O pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), defendeu a expansão do modelo de gestão do Recife para todo o estado e afirmou que governa sem perseguir adversários políticos.

A declaração ocorreu na noite de quarta-feira (15), durante a plenária do programa Chega Junto Pernambuco, o Clube Ferroviário de Afogados, Zona Oeste do Recife.

"O Recife vai ser o motor e o coração para construir um novo tempo em Pernambuco. Vocês me viram governar sem perseguir ninguém, usando a capacidade administrativa para transformar a vida das pessoas. É essa forma de fazer gestão que queremos levar para todo o estado", declarou o prefeito.

No discurso, João Campos prometeu estender para o interior e outras cidades do estado programas como o Embarque Digital, que oferece bolsas de nível superior na área de tecnologia. Durante o encontro em Afogados, João Campos dividiu o palanque com o pré-candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), a pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT), o senador Humberto Costa (PT), o prefeito do Recife Victor Marques (PCdoB) e o presidente estadual do PSB, deputado Sileno Guedes.

A menção sobre administrar sem perseguir ecoou como uma indireta para governadora Raquel Lyra (PSD). O grupo do prefeito já  levantou acusações de assédio institucional por parte do Palácio do Campo das Princesas.

A crise mais recente nesse campo ocorreu em fevereiro de 2026, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) entrou no circuito da disputa local. O ministro Gilmar Mendes determinou o arquivamento de investigações do Ministério Público Estadual contra secretárias da Prefeitura do Recife e autorizou a Polícia Federal a apurar um suposto monitoramento ilegal da Polícia Civil contra o secretário de Articulação Política da capital, Gustavo Monteiro.

Na época, o PSB acusou o governo estadual de estruturar uma "polícia paralela" para fins eleitorais. Raquel Lyra negou qualquer interferência política e defendeu a autonomia da Polícia Civil como instituição de Estado.

A queixa dos socialistas soma-se a outros episódios de tensão entre aliados de João Campos e o governo do estado. Em agosto de 2025, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Álvaro Porto (MDB), afirmou que haveria  uma "milícia digital" na Casa Civil estadual para atacar deputados de oposição.