Investigação apura desvio de emendas para a produção de "Dark Horse". Relatório da PF aponta repasse de R$ 645 mil do próprio deputado para produtora
por Cynara Maíra
Publicado em 10/09/2026, às 13h29 - Atualizado às 13h56
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (10) o sigilo do processo que apura o uso de emendas parlamentares no financiamento do filme "Dark Horse". Na decisão, o magistrado proibiu o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama de deixarem o país, além de vetar qualquer contato entre os investigados.
A determinação de Dino embasou a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Os agentes cumpriram 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. Não houve pedidos de prisão.
O relatório da PF aponta que verbas públicas vindas de emendas parlamentares de Mario Frias supostamente abasteceram a produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro (PL), intitulada "Dark Horse", uma expressão para "azarão" em inglês.
Segundo os investigadores, a produtora Go Up Entertainment, de Karina Gama, movimentou R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025, período que coincidiu com as filmagens do longa na capital paulista.
O documento cita que o próprio Mario Frias transferiu R$ 645,4 mil para a conta da Go Up em menos de dois meses.
A PF apontou que a transação do político destoa da renda mensal do parlamentar, fixada em R$ 44 mil. Os policiais também apuram se empresas subcontratadas pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado, repassaram dinheiro para bancar custos de Dark Horse, incluindo hospedagens em hotéis, alimentação e contratação de outras produtoras.
Ao justificar a retenção do passaporte, Dino afirmou que Frias atrasou o envio de informações durante a apuração por estar no exterior e citou o risco de fuga de parlamentares alvos de processos penais, como a ex-deputada Carla Zambelli (PL).
O ministro também apontou perigo de combinação de versões e destruição de provas. Em manifestações anteriores, Mario Frias declarou que a acusação de desvio é puramente especulativa. Já Karina Gama afirmou que a aplicação dos recursos ocorreu de forma correta e que não tem o que delatar.