PF deflaga operação sobre repasses públicos para filme "Dark Horse", após autorização de Dino

PF cumpre 49 mandados autorizados sobre possíveis irregularidades em repasses públicos para o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 10/09/2026, às 08h27 - Atualizado às 08h50

Dois homens brancos de costas andando, eles usam uma farda preta escrito "polícia federal"
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram na manhã desta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares para financiar o filme "Dark Horse", que trata da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os agentes da PF cumprem 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar de não haver ordens de prisão, as equipes atuam em endereços de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Entre os alvos das buscas estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), autor de emendas e roteirista da obra, e a empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment.

Duas entidades ligadas a ela, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), também receberam mandados.

A investigação começou no tribunal a partir de representação feita pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).

Em 2024, Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas para o ICB. Segundo auditoria da CGU e apurações da PF, as empresas subcontratadas receberam as emendas irregularmente, sem a entrega dos serviços contratados.

Os policiais identificaram que parte dessas firmas pertence a doadores de campanha, ex-assessores e ao advogado do deputado. A polícia aponta indícios de notas fiscais e contratos fabricados com datas retroativas para simular regularidade perante os órgãos de controle.

De acordo com a corporação, o grupo teria movimentado valores na casa de centenas de milhões de reais em contas empresariais, com tentativas de ocultação patrimonial ocorrendo até julho deste ano.

A apuração trata de crimes como peculato, organização criminosa, lavagem de capitais, falsidade documental e fraudes a licitações. O tema entrou no STF após o ministro Flávio Dino puxar o inquérito para Corte ao reunir apurações anteriores da Polícia Civil paulista, que já investigava contratos do ICB de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de sinal de internet gratuita.

Em declaração à imprensa, Karina Gama disse que a aplicação dos recursos públicos foi correta e declarou que não tem nada a delatar.

As defesas dos investigados pela PF ainda não apresentaram manifestações públicas sobre as buscas desta quinta. O senador Flávio Bolsonaro (PL) é citado em outro inquérito no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, sobre transferências pedidas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o mesmo filme, mas não figura entre os alvos desta operação.

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