Fake news: Prefeito aparece em vídeo beijando criança de 14 anos

Entre indignação e alerta, prefeito expõe fake news na própria pele — e STF admite: nem a Justiça dá conta do caos digital nas eleições e antes dela

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 28/04/2026, às 07h56 - Atualizado às 08h52

Amupe
Amupe

O prefeito de Limoeiro, Orlando Jorge, denunciou no Congresso da Amupe o avanço das fake news na política em ano eleitoral.

Ele relatou ter sido vítima de montagem criminosa nas redes, envolvendo conteúdo sensível, ainda sem solução judicial.

O caso foi levado à polícia, mas segue sem desfecho, segundo o gestor.

Ao comentar, o ministro do STF, Flávio Dino, alertou para o impacto da IA na disseminação de vídeos falsos.

Dino reconheceu limites da Justiça e cobrou da sociedade a retomada de critérios no debate público.

Em tom de indignação, o prefeito de Limoeiro, Orlando Jorge, aproveitou uma intervenção no Congresso da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), nesta segunda-feira, no Recife, para reclamar do avanço das fake news na política, neste ano de eleições nacionais. Ele relatou ao ministro do STF, Flávio Dino, ter sido ele mesmo vítima de montagens falsas nas redes sociais.

O processo corre em segredo de Justiça, segundo o próprio prefeito comentou, na palestra de Dino.

"Em uma fake News, me colocaram beijando uma criança de 14 anos. Levei o caso para a delegacia de defraudações e até hoje não teve solução, no Judiciário", afirmou, especulando o que se poderia esperar de um ano de eleições com expectativa de elevada radicalização.

Na sua resposta, ao fim da palestra, o ministro mostrou-se desesperançado ao se referir a internet de um modo geral e a IA (Inteligência Artificial), de modo particular.

"Neste momento mesmo, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral)  está tratando de um vídeo, clone, fake, com 104 milhões de acessos... Imaginemos que Pedro Freitas (prefeito de Aliança e presidente da Amupe), há três dias das eleições, apareça em um vídeo puxando o rabo de um cachorro ou pisoteando um gato. O eleitor pensa assim, se ele faz isto, pode fazer algo pior. E ai? Pedro Freitas pede direito de resposta? Pede direito de resposta a quem Não existe (a quem pedir tal direito de resposta)", observou, deixando entrever algum sentimento de impotência, conforme constatou a reportagem do site Jamildo.com.

"Nós (sociedade) perdemos a capacidade de dizer isto é admissível, isto não é admissível. Nós precisamos restabelecer isto no debate entre as pessoas. Vejo gente que diz que a gente não tem que medir as palavras... querido, temos que medir as palavras sim. Isto na política se perdeu um pouco... o tribunal não vai resolver todos os problemas do Brasil", declarou.