Pré-candidatos à presidência do NOVO e do MISSÃO concordam que o Bolsa Família é importante, mas defendem elaboração de um "plano de saída"
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 27/01/2026, às 07h09 - Atualizado às 11h52
Romeu Zema e Renan Santos concordam com importância do Bolsa Família, mas sugerem "porta de saída".
Para Santos, o modelo atual favorece um cenário de atraso nos estados e municípios.
Para Zema, o Governo Federal deve estimular que as pessoas deixem de depender do auxílio.
As declarações desta reportagem vieram das entrevistas ao PodJá, podcast oficial do site Jamildo.com.
Em entrevista ao podcast do site Jamildo.com (PodJá), os pré-candidatos à presidência, Renan Santos (MISSÃO) e Romeu Zema (NOVO), expuseram opiniões semelhantes no que diz respeito ao Programa Bolsa Família.
Para ambos, o benefício social destinado a pessoas de baixa renda é algo importante, mas o projeto peca em não ter um "plano de saída".
"Eu tenho minha crítica ao Bolsa Família como uma política perpétua. Eu manteria, mas a gente tem que ter lógica de saída", disse Renan Santos.
Para Santos, a crítica principal ao programa se dá devido ao contexto, no qual, segundo o candidato, muitos municípios se encontram. "Minha discussão não fica no indivíduo que recebe bolsa família… Municípios inteiros, cuja economia é sustentada por emprego na prefeitura, verbas federais, emendas e auxílio federal."
Segundo o fundador do partido Missão, este modelo é "ruim para pessoa que recebe o auxílio, para o município, para o estado e para os outros estados", critica Renan Santos em alusão à narrativa de que estados nordestinos recebem mais recursos da União do que enviam.
Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, defende que o auxílio é importante, sobretudo, para mulheres com filhos pequenos e sem renda necessária para o sustento.
Quando perguntado sobre o que acha do programa federal, Zema dispara: "Eu aperfeiçoaria".
Durante a conversa, Zema pontua detalhes a serem melhorados. "Exigiria que todas (as crianças beneficiadas) estivessem frequentando a escola.", diz.
Segundo ele, é comum que professores relatem casos de mães que levam seus filhos às escolas apenas quando o benefício está prestes a ser cortado devido à ausência da criança no ambiente escolar. Para Zema, permitir que isso aconteça é perpetuar a pobreza e a miséria, visto que "uma criança que não é alfabetizada não vai ter um futuro".
Zema vai além e defende que, a depender da situação com a qual a mulher se encontre, "ela deveria até receber mais". Entretanto, o candidato prevê uma situação diferente em relação aos homens. Para ele, homens que se encontrem saudáveis e aptos a trabalhar, devem prestar trabalho comunitário ao menos um dia por semana.
"Se é homem e saudável, esse vai ter de fazer alguma coisa… se ele vai ajudar no posto de saúde, vai ajudar na cantina de uma escola", diz. Segundo Zema, esta iniciativa também possibilitaria uma qualificação profissional ao indivíduo, permitindo uma possível saída do programa.
Na mesma linha, o pré-candidato à presidência critica pessoas beneficiadas que, em vez de trabalhar, realizam um "bico" para complementar a renda com o auxílio no fim do mês.
Como solução, o governador de Minas Gerais revela ser a favor de que se a pessoa que estiver recebendo Bolsa Família conseguir se empregar no setor industrial de forma especializada, o Governo Federal deveria premiar a conquista com cinco mil reais.
"Nós precisamos ter um incentivo para as pessoas saírem do Bolsa Família." diz.
"O problema do emprego informal não é que ele é ruim, o problema é que daqui há 10 anos o sujeito não aprendeu nada de novo.", complementa.
Por fim, Zema dispara: "Precisamos de porta de saída, porta de entrada já temos demais.".
O conteúdo completo das entrevistas pode ser acessado no canal do YouTube do site Jamildo.com.