Confronto entre Jones Manoel e Eduardo Moura teve críticas pessoais, xingamentos, mas também concordâncias em críticas contra o PSB e situação do Metrô
por Cynara Maíra
Publicado em 23/07/2026, às 08h51 - Atualizado às 09h55
Na quarta-feira (22), o vereador do Recife e candidato a deputado federal Eduardo Moura (Novo) participou de um debate com o pré-candidato a deputado federal e militante de esquerda Jones Manoel (PSOL). O tão aguardado embate teve tensões, xingamentos e acusações pessoais entre os adversários. O encontro ocorreu no Podcast "Fala Ordinário", da página Recife Ordinário.
Para construir a imagem de gestor pragmático e indicar que Jones não teria conhecimento sobre a máquina pública, Eduardo Moura adotou uma linha de questionamentos focada em custos operacionais.
O parlamentar municipal perguntou para o pesolista o valor de um pneu de ônibus, o custo para encher o tanque de combustível, os preços para pavimentar ruas com saneamento e dados sobre a rede de saúde e de creches no Recife. Segundo ele, "Para resolver os problemas públicos, você precisa conhecer o custo real das coisas".
Moura iniciou suas falas mirando o eleitorado anticorrupção ao apresentar termos impressos para propor a quebra de sigilo bancário dos dois candidatos e o rateio de verbas de campanhas virtuais entre filiados das legendas, tentando vincular a imagem de Jones a uma suposta hipocrisia.
Ele desafiou Jones a socializar a verba de sua vaquinha de campanha e apontou que o político se beneficiava de um canal privado no YouTube (Farol Brasil), questionando se Jones assinava a carteira de seus próprios funcionários e alegando que ele havia rompido com seu antigo partido (PCB) justamente para não dividir seus lucros privados
O foco de Jones foi se apresentar como intelectual que estaria focado no debate conceitual e em pautas estruturais da classe trabalhadora, apesar disso, também chegou a chamar Moura de "xixeiro" (mau pagador), "palhaço", "canalha", "desequilibrado, imbecil, grosso e surtado" e "animal".
O militante do PSOL recusou a assinatura dos documentos trazidos pelo parlamentar, chamando-o de "caricatura ambulante" com "lacração vazia", classificou as perguntas sobre custos como "pegadinhas pseudotécnicas" e argumentou que a formulação de políticas públicas exige investimentos estatais, valorização de servidores e realização de concursos.
Como contra-ofensiva para desidratar o discurso, Jones falou sobre a vida pessoal do parlamentar ao trazer para o debate o caso de uma cobrança judicial trabalhista movida contra Moura por uma ex-auxiliar de enfermagem que atuava como cuidadora em sua residência.
Ao responder à acusação sobre a ação trabalhista, Moura explicou que esteve desempregado no final de 2022 após deixar a TV Tribuna, período em que enfrentou depressão severa. O vereador afirmou que vendeu um imóvel próprio durante a pandemia para manter o pagamento da funcionária com carteira assinada e que quitou R$ 20 mil em acordo na Justiça para encerrar o processo.
Um dos maiores atritos no debate foi um momento que Eduardo veiculou no celular o depoimento da ex-refém israelense Ilana Gritsevsky para questionar a posição do PSOL sobre o grupo Hamas e acusar que o militante de esquerda defenderia a prática de estupros ao supostamente apoiar o grupo palestino. "Sabe o que que eu defendo pra gente feito você? Pena de morte", disse Moura.
Jones rebateu que o áudio não trazia relatos de agressão sexual, acusou o vereador de veicular desinformação pelo conteúdo estar em inglês e reafirmou o apoio histórico à causa de libertação da Palestina, negando qualquer complacência com violência sexual, chamando o vereador de "desequilibrado e misógino". O esquerdista ainda sugeriu que a Polícia Federal investigasse Eduardo por ele ter declarado que tem acesso a vídeos da deep web de violência sexual da contra crianças.
Apesar de diversos momentos de embate, os políticos chegaram a concordar em alguns pontos, como as críticas ao PSB e à gestão do ex-prefeito João Campos (PSB), sobre a situação das escolas em tempo integral de Pernambuco e em relação ao estado do Metrô do Recife, mas propondo soluções opostas. Moura falou sobre a concessão privada e Jones cobrou a reestatização com aporte de R$ 4 bilhões em verbas federais.
Para além das brigas, ambos os políticos apresentaram propostas
| Área Temática | Jones Manoel (PSOL) | Eduardo Moura (Novo) |
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| Saúde |
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| Educação |
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| Economia, Trabalho e Fome |
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