Câmara do Recife arquivou moção de repúdio da oposição por 20 votos a 6 após discussões sobre atrito entre Gilson Machado e Vinicius Marques em cavalgada
por Cynara Maíra
Publicado em 02/06/2026, às 12h31
Nesta terça-feira (02), a Câmara do Recife votou uma moção de repúdio contra o prefeito de São José do Belmonte, Vinicius Marques (PSB), irmão do atual prefeito Victor Marques (PCdoB). O plenário da Casa de José Mariano arquivou o requerimento nº 4.581/2026 após registrar 20 votos contrários e 6 favoráveis.
O líder da oposição, vereador Felipe Alecrim (Novo), classificou a atitude do gestor sertanejo como coronelismo e afirmou que o episódio feriu o direito constitucional de ir e vir.
Eduardo Moura (Novo) discursou afirmando que as declarações configuraram uma ameaça institucional contra um membro do legislativo da capital. Os parlamentares Osmar Ricardo (PT) e Paulo Muniz (PL) também acompanharam o voto favorável e criticaram o uso do cargo para intimidar adversários políticos. Essa é uma das primeiras posições de Osmar votando com a oposição após retornar para Câmara.
O atrito que motivou o pedido ocorreu durante a tradicional Cavalgada da Pedra do Reino, em São José do Belmonte, neste fim de semana.
O autor do requerimento, vereador Gilson Machado Filho (PL), relatou que Vinicius Marques saiu do cortejo principal e chegou próximo de Gilson. De acordo com o relato do vereador, o prefeito demonstrou irritação e mandou o parlamentar tomar cuidado ao proferir a frase "Tu se liga que aqui não é Recife não. Se liga".
Gilson Filho registrou um Boletim de Ocorrência na delegacia logo após o incidente. Na justificativa da moção, o parlamentar pontuou que o caso ganha maior repercussão institucional pelo fato de Vinicius ser irmão do prefeito do Recife, Victor Marques. Um dia antes da cavalgada, o vereador havia publicação um vídeo na internet criticando a atuação política do pré-candidato governista João Campos no município.
Após o caso, Vinicius Marques divulgou uma nota oficial para negar qualquer teor violento ou histórico de intimidações em sua conduta.
O prefeito afirmou que não ameaçou o parlamentar, mas sim ofereceu um conselho de prudência. O gestor justificou que grandes eventos populares reúnem milhares de pessoas movidas por paixões políticas intensas e que provocações desnecessárias poderiam gerar reações adversas de terceiros.
Na tribuna, os vereadores governistas Rinaldo Júnior e Júnior de Cleto defenderam o prefeito belmontense e classificaram o caso como um mal-entendido. Rinaldo Júnior acusou a oposição de oportunismo e afirmou que os adversários utilizaram um requerimento simples apenas para buscar engajamento em redes sociais e atacar o partido do governo.