Apesar de tentativa petista, Raquel Lyra reafirma em diversos veículos nacionais neutralidade no 2º turno

Procurada por emissários de Lula e Flávio Bolsonaro, Raquel Lyra descarta declaração de voto e nega ressentimento com o Planalto após apoio a João Campos

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 08/10/2026, às 07h43 - Atualizado às 08h51

Imagem Apesar de tentativa petista, Raquel Lyra reafirma em diversos veículos nacionais neutralidade no 2º turno

Raquel Lyra (PSD) concedeu entrevistas a veículos nacionais e confirmou que não declarará apoio a Lula (PT) ou a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.

O presidente Lula e ministros de Estado fizeram sondagens para tentar atrair o palanque governista de Pernambuco na campanha nacional.

A governadora afirmou que a neutralidade repete a coerência mantida desde o pleito de 2022 para resguardar repasses e parcerias com a União.

Raquel negou ressentimentos com a atuação do Planalto ao lado de João Campos (PSB) e citou prejuízos de gestões anteriores que confrontaram governos federais.

A gestora declarou oposição a eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF no Congresso Nacional e defendeu a estabilidade das instituições.

Reeleita no primeiro turno com 53,2% dos votos válidos, a governadora Raquel Lyra (PSD) concedeu entrevistas a veículos de circulação nacional na quarta-feira (07) para reafirmar que manterá neutralidade na disputa presidencial de segundo turno.

As novas declarações ocorreram após investidas da campanha do presidente Lula (PT), que enviou emissários para tentar atrair a gestora estadual ao palanque petista contra Flávio Bolsonaro (PL).

Nos últimos dias, interlocutores do Palácio do Planalto intensificaram os contatos com o Campo das Princesas.

Entre os nomes que teriam tentado sondar o apoio da gestora estiveram os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e José Múcio Monteiro (Defesa), além do ex-ministro Rui Costa (Casa Civil). O próprio presidente Lula também conversou por telefone com a governadora. A campanha de Flávio Bolsonaro procurou igualmente a gestora para verificar sua posição na etapa final da eleição nacional.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Raquel afirmou que recebeu parabéns dos dois lados e que a recusa em apoiar qualquer um dos polos repete a postura na eleição de 2022.

"O presidente da República tem a sua aliança e tem o direito de fazer o que ele entender que é justo e necessário. Então, eu não estou aqui para julgar o presidente. Eu sou grata a ele por trabalhar para Pernambuco. Todo mundo que me ligou, me ligou para parabenizar, para perguntar do meu posicionamento em relação ao segundo turno. E o que eu disse a eles é o que estou dizendo a você. E eu não vou declarar apoio a presidente da República", afirmou a governadora.

Ao jornal Valor Econômico, a gestora negou que a postura neutra seja motivada por queixas contra a atuação do Governo Federal no primeiro turno estadual. A equipe do candidato derrotado João Campos (PSB) contou com a presença de Lula em atos de rua no Recife.

"Na política, não se trata com ressentimento, nem com mágoa. O presidente da República tem total direito e legitimidade de fazer o que queira durante o seu processo eleitoral. O Paulo [Câmara] brigou com três presidentes da República: Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. A gente perdeu investimentos importantes e o Estado andou para trás", declarou ao Valor.

Raquel Lyra já citou em diversos momentos o posicionamento de ex-gestores do PSB e retaliações de presidentes como um dos motivos para falta de investimentos federais no estado durante os mandatos anteriores. 

A governadora disse ainda que não aceita rótulos ideológicos e avaliou que o próximo mandato federal precisará de diálogo institucional. Ao comentar as movimentações no Congresso Nacional, a gestora rejeitou a tese de abertura de processos de impedimento contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Tenho falado que não dá para que a eleição deste ano seja discutida a partir de qual ministro do Supremo vai ser impeachmado e como se dará esse processo. A Constituição prevê tudo. Quem cometeu qualquer tipo de irregularidade, qualquer tipo de irresponsabilidade, responda sobre isso dentro do devido processo legal", pontuou.