Em “Ser Rico, sou Rico!”, Marcelo Carrilho discute como consumo, patrimônio e liberdade de escolha ajudam a redefinir o conceito de riqueza
por Jamildo Melo
Publicado em 01/10/2026, às 10h43 - Atualizado às 11h02
O livro “Ser Rico, sou Rico!”, de Marcelo Carrilho, propõe uma discussão sobre o significado da riqueza para além da renda e da ostentação
A obra aborda patrimônio, consumo, comportamento e liberdade financeira dentro da realidade econômica brasileira
A proposta é diferenciar a construção de riqueza da necessidade de demonstrar riqueza
Ter um carro caro, morar em um imóvel de alto padrão e manter um elevado nível de consumo significa necessariamente ser rico? Ou pode significar apenas que alguém gasta muito dinheiro para parecer rico?
Essa diferença entre ser rico e parecer rico está no centro do livro “Ser Rico, sou Rico!”, de Marcelo Carrilho, publicado pela Artêra Editorial, selo da Editora Appris.
Em vez de apresentar a riqueza apenas como resultado de uma renda elevada, Carrilho procura discutir a relação entre dinheiro, patrimônio, consumo, comportamento e liberdade de escolha.
A abordagem parte de uma questão simples, mas que ganha importância em uma sociedade na qual sinais externos de sucesso são constantemente exibidos, especialmente pelas redes sociais: quanto do padrão de vida representa patrimônio efetivamente construído e quanto depende da manutenção permanente de despesas?
Um dos pontos apresentados pelo autor é a necessidade de separar renda de patrimônio.
Uma pessoa pode receber muito e, ao mesmo tempo, comprometer parcela significativa do que ganha com despesas, financiamentos e manutenção de um determinado padrão de vida.
Da mesma forma, alguém com consumo menos ostensivo pode acumular patrimônio e construir maior capacidade de enfrentar períodos de redução da renda.
Nesse sentido, o livro aproxima o conceito de riqueza da autonomia financeira: ter recursos suficientes para ampliar a capacidade de escolha sobre trabalho, consumo e projetos pessoais.
A proposta não é apresentar uma fórmula de enriquecimento rápido. O próprio autor distancia a obra da ideia de um manual com promessa de prosperidade imediata.
Outro tema explorado é a associação entre riqueza e consumo.
Carros, viagens, roupas, restaurantes, imóveis e outros símbolos podem funcionar como demonstrações públicas de sucesso, mas não revelam necessariamente a situação patrimonial de quem os possui ou utiliza.
É justamente nesse ponto que a provocação do título ganha sentido.
Parecer rico custa dinheiro. Ser rico, na concepção apresentada no livro, depende da relação construída com esse dinheiro ao longo do tempo.
A discussão também passa pelo comportamento. Decisões de consumo tomadas para acompanhar determinado grupo social ou demonstrar sucesso podem produzir uma diferença significativa entre renda e patrimônio acumulado.
Na obra enviada ao site Jamildo.com para uma resenha, Carrilho procura colocar a discussão dentro do ambiente econômico brasileiro.
Inflação, juros, períodos de expansão e retração econômica e mudanças nas condições de crédito interferem diretamente na capacidade das famílias de consumir, poupar e formar patrimônio.
Nesse cenário, a construção de segurança financeira não depende apenas de quanto uma pessoa recebe, mas também de como administra recursos e compromissos ao longo dos anos.
O debate ganha relevância diante da facilidade de acesso ao crédito e da exposição permanente a padrões de consumo nas plataformas digitais.
Marcelo Carrilho é engenheiro mecânico e possui pós-graduação em gerenciamento de projetos pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e em administração e marketing pela Universidade de Pernambuco (UPE).
Também atua no setor empresarial como CEO da Meta Consult.
Em “Ser Rico, sou Rico!”, ele reúne experiências profissionais e reflexões sobre dinheiro para discutir uma pergunta que não possui uma resposta exclusivamente matemática.
Afinal, quanto dinheiro é necessário para alguém poder dizer que é rico?
A resposta apresentada pelo livro passa menos pela aparência e mais por patrimônio, segurança e liberdade de escolha.
Talvez aí esteja também a principal provocação da obra: há uma diferença considerável entre ter dinheiro para consumir e construir uma vida na qual o dinheiro deixa de determinar todas as escolhas.