Transnordestina: estudo entregue da Sudene ao TCU estima geração de 22 mil empregos

Documento entregue ao TCU estima retorno econômico de 15,53%, prevê até 24 milhões de toneladas por ano e propõe conciliação para viabilizar a obra

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 13/07/2026, às 17h54

Imagem Transnordestina: estudo entregue da Sudene ao TCU estima geração de 22 mil empregos

Sudene entregou ao TCU estudo técnico sobre o trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina.

Levantamento estima retorno econômico de 15,53% e impacto social de R$ 4,76 bilhões.

Projeção prevê movimentação anual entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas de cargas.

Documento aponta geração de empregos e propõe câmara de conciliação para viabilizar a execução da obra.

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) entregou, nesta segunda-feira (13), ao Tribunal de Contas da União (TCU), o estudo técnico sobre a viabilidade do trecho da Ferrovia Transnordestina entre Salgueiro e o Porto de Suape. O documento atende ao Acórdão nº 1.217/2026, que determinou a apresentação de análises socioeconômicas para subsidiar a avaliação de novos compromissos financeiros relacionados ao empreendimento.

A entrega ocorre às vésperas da análise dos embargos de declaração pelo Plenário do TCU, prevista para esta quarta-feira (15). A informação foi confirmada após reunião realizada entre representantes da Sudene e do Tribunal.

Segundo o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, o estudo busca fornecer elementos técnicos para contribuir com a apreciação do recurso. "Os aspectos sociais deste empreendimento fortalecem sua execução. Associados aos potenciais econômicos que já estão presentes e aos que podem surgir, o valor social reforça a importância da obra para a região", afirmou.

O levantamento reúne indicadores econômicos e sociais sobre a implantação do trecho ferroviário. Entre os principais resultados, a Sudene estima um Valor Social Presente Líquido (VSPL) de R$ 4,76 bilhões e uma Taxa de Retorno Econômico (TRE) de 15,53%. Os cálculos consideram fatores como redução dos custos logísticos, diminuição de acidentes em rodovias, queda na emissão de gases de efeito estufa, economia em despesas públicas com infraestrutura viária e maior integração das cadeias produtivas do Nordeste.

Além dos indicadores econômicos, o estudo avalia o potencial de utilização da ferrovia para diferentes segmentos da economia regional. A projeção contempla o transporte de cargas destinadas à exportação, além de grãos, gesso, combustíveis, fertilizantes, calcário, insumos para a construção civil, produtos siderúrgicos e contêineres, levando em consideração a expansão do mercado nordestino e a consolidação de cadeias produtivas na região.

Com base nessas premissas, a estimativa é de que a movimentação anual de cargas varie entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas. O documento aponta ainda que a operação em ambos os sentidos permitirá ampliar a utilização da infraestrutura, combinando o escoamento de mercadorias pelo Porto de Suape com a distribuição de combustíveis, fertilizantes importados e bens de consumo para o interior, alcançando uma área de influência superior a 400 municípios.

O estudo também apresenta estimativas sobre os impactos econômicos da obra. Segundo a Sudene, a fase de implantação poderá gerar aproximadamente 13 mil empregos, enquanto a operação da ferrovia deverá criar cerca de 9,6 mil postos de trabalho, considerando as atividades ferroviárias, os terminais de carga e os setores econômicos associados.

De acordo com o levantamento, a área de influência dos terminais de Salgueiro e Suape concentra mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) e do Valor Adicionado Bruto (VAB) do Nordeste. As projeções indicam impacto de aproximadamente R$ 8,23 bilhões no VAB durante a implantação da ferrovia e incremento anual estimado em R$ 910 milhões na fase de operação.

O documento encaminhado ao TCU também propõe a criação de uma câmara de conciliação interinstitucional para coordenar as etapas relacionadas às questões fundiárias, socioambientais e institucionais necessárias à execução do empreendimento.