Senador cita estudo da Sudene entregue ao TCU, que projeta retorno social de R$ 4,76 bilhões com a conclusão do trecho Salgueiro-Suape
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 07/07/2026, às 17h12
Humberto Costa defendeu a retomada das obras da Transnordestina em Pernambuco.
Estudo da Sudene estima retorno social de R$ 4,76 bilhões para o empreendimento.
TCU suspendeu novos investimentos e julgará o caso no próximo dia 15.
Trecho Salgueiro-Suape voltou ao projeto durante o governo Lula após ter sido retirado da ferrovia.
O senador Humberto Costa (PT) defendeu a retomada das obras do trecho Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina após a divulgação de um estudo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) que reforça a viabilidade socioeconômica do empreendimento. A manifestação ocorre em meio à paralisação da obra, suspensa desde maio por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que interrompeu a liberação de novos recursos federais até a apresentação de estudos técnicos atualizados.
O levantamento foi apresentado nesta terça-feira (7) à Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), no Recife. Segundo a Sudene, a conclusão do trecho ferroviário pode gerar um Valor Social Presente Líquido (VSPL) de R$ 4,76 bilhões e uma Taxa de Retorno Econômico (TRE) de 15,53%. O estudo também projeta uma movimentação anual entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas de cargas.
Com base nesses dados, Humberto Costa afirmou que o novo material fortalece os argumentos para a retomada do projeto e deve subsidiar a análise do TCU.
"Esse estudo, somado a outros levantamentos, vai ser apresentado ao TCU para que ele possa liberar a obra e, com isso, darmos os primeiros passos. O Governo Federal tem se mostrado comprometido com a retomada da Transnordestina em Pernambuco, e isso é fundamental nesse processo. Tenho a convicção de que o retorno dos trabalhos vai atrair outros investidores para que a gente possa diminuir o atraso que tivemos no andamento da ferrovia aqui no estado", declarou o senador.
O Tribunal de Contas da União suspendeu, em maio, a autorização para novos investimentos públicos federais no trecho pernambucano da ferrovia. A decisão foi fundamentada na necessidade de atualização dos estudos técnicos, econômicos e de viabilidade do empreendimento. O processo deverá ser analisado pelo tribunal no próximo dia 15, quando será discutida a possibilidade de retomada da liberação dos recursos.
A Ferrovia Transnordestina foi concebida para integrar dois eixos logísticos. O Eixo Norte, com aproximadamente 1,2 mil quilômetros, conecta Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto de Pecém, no Ceará. Já o Eixo Sul, correspondente ao trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape, em Pernambuco, possui cerca de 540 quilômetros.
O trecho pernambucano chegou a ser retirado do projeto durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas foi reintegrado ao planejamento da ferrovia na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As obras permaneceram paralisadas por mais de uma década.
De acordo com o estudo apresentado pela Sudene, a conclusão da ferrovia poderá ampliar a capacidade logística do Nordeste, reduzindo custos de transporte, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando a integração entre o Sertão e o litoral, com potencial de impacto sobre diversos setores da economia regional.
Leia também