Sindicombustíveis PE alerta para impacto de alta da Refinaria de Mataripe nos preços

Entidade aponta que reajustes nos preços expressivos no diesel e na gasolina pressionam toda a cadeia de suprimentos no Nordeste e reforça a necessidade de fiscalização ampla

Redação Jamildo.com

por Redação Jamildo.com

Publicado em 17/09/2026, às 10h26

Combustível
Confira detalhes - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Artigo enviado pelo Sindicombustíveis Pernambuco ao Jamildo.com

O Sindicombustíveis Pernambuco acompanha com grande preocupação os efeitos do atual cenário internacional sobre o mercado de petróleo e derivados, especialmente sobre o óleo diesel.

O que estamos observando não é uma preocupação abstrata. Os movimentos de preços já estão chegando à origem da cadeia de abastecimento.

Neste dia 17 de setembro, por exemplo, a Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe, na Bahia, promoveu alterações expressivas nos preços de seus produtos.

No diesel S-10, o aumento informado foi de R$ 0,8289 por litro no produto puro, representando impacto indicado de R$ 0,7046 por litro no produto misturado. No diesel S-500, o aumento chegou a R$ 1,0289 por litro no produto puro, com impacto indicado de R$ 0,8746 por litro no produto misturado. Na gasolina A, a elevação foi de R$ 0,1507 por litro, com impacto indicado de R$ 0,1025 por litro após a mistura.

Estamos falando de uma refinaria estratégica para o Nordeste. Segundo dados divulgados pela própria Acelen, a Refinaria de Mataripe responde por aproximadamente 42% do abastecimento da região.

Portanto, quando ocorre uma alteração dessa magnitude na origem da cadeia, é natural que exista uma forte pressão sobre os custos de aquisição nas etapas seguintes.

O posto revendedor está na ponta final desse processo. Ele compra o combustível da distribuidora e precisa administrar, de forma individual, estoque, capital de giro, despesas operacionais e o equilíbrio econômico-financeiro da sua empresa.

Por isso, o alerta que fazemos às autoridades, aos órgãos de defesa do consumidor, ao Ministério Público, à ANP e à própria sociedade é muito simples: é necessário olhar toda a cadeia de formação do preço.

Não se pode analisar apenas o número que aparece na bomba. É preciso verificar quanto custou o produto na refinaria, as condições de importação, os preços praticados pelas distribuidoras, logística, tributação e, finalmente, o custo efetivamente suportado por cada posto.

Nossa maior preocupação neste momento está no diesel. Já existem relatos de restrições pontuais de oferta em diferentes regiões do Brasil, em um momento de forte pressão internacional sobre esse combustível. E o diesel é absolutamente estratégico para o país: movimenta o transporte de cargas, alimentos, agricultura e praticamente toda a atividade econômica.

A gasolina também vem apresentando movimentações, assim como o etanol, cujo mercado possui relação econômica com a gasolina e pode ser afetado por mudanças relevantes na competitividade entre os dois combustíveis.

O Sindicombustíveis Pernambuco não antecipa preços, não sugere reajustes e não orienta qualquer comportamento comercial. Cada posto é uma empresa independente e deve tomar suas decisões de preço e de gestão de acordo com sua própria realidade, seus custos e suas condições comerciais.

O nosso papel é institucional: alertar para o que está acontecendo na cadeia, defender a regularidade do abastecimento e cobrar que qualquer fiscalização seja técnica, ampla e equilibrada.

Antes de apontar para o posto de gasolina, é fundamental olhar de onde o combustível saiu, quanto custou em cada etapa e como ele chegou até a bomba.