Em audiência com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o setor, representado pela Fecombustíveis, entregou ofício com diversos pleitos nacionais – maior apoio ao GNV entre eles
por Redação Jamildo.com
Publicado em 01/07/2026, às 12h19
Em meados de junho, representantes da Fecombustíveis, entidade que representa o varejo de combustíveis em todos os estados brasileiros, foram recebidos pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em audiência solicitada com o objetivo de defender um pleito que não é apenas setorial: é uma questão de soberania energética, de competitividade industrial, de custo de vida para o trabalhador e de coerência entre o discurso da transição energética e a realidade do país.
Durante o encontro em Brasília, o presidente da Federação, James Thorp, ao lado de presidentes de sindicatos de todo o Brasil, Pernambuco, entre eles, oficializou a entrega de documento tratando de pautas que afetam diretamente os mais de 45 mil postos revendedores do país e por consequência, mais de 50 milhões de brasileiros que são atendidos diariamente pelos postos e dependem do abastecimento para trabalhar, produzir e se mover.
A audiência foi extremamente positiva, com todas as nossas reivindicações sendo ouvidas com atenção e abertura. O destaque foi para a principal demanda do setor: a criação de um Comitê permanente de diálogo, que garanta que a voz dos revendedores seja considerada nas decisões que impactam a cadeia de abastecimento de combustíveis no Brasil.
O encontro foi marcado por ampla receptividade do vice-presidente Alckmin, que teve contato com os principais pleitos da revenda, se mostrando bastante atento aos dados e informações abordadas na ocasião. Além da Instituição do Canal Permanente de Comunicação ou Grupo de Trabalho Institucional entre o Governo Federal, a Fecombustíveis e os Demais Elos da Cadeia de Abastecimento de Combustíveis; o documento entregue pontuou a monofasia tributária do ICMS para o etanol hidratado e o Gás Natural Veicular (GNV); padronização das Fiscalizações dos PROCONs Estaduais e Municipais, sob coordenação da SENACON, para evitar prejulgamentos à revenda; e a revisão dos critérios de reajuste dos preços do Gás Natural Veicular.
Uma política para o GNV, que beneficie o consumidor final, destacou-se entre os pleitos da Fecombustíveis
Hoje, o GNV é considerado o combustível veicular mais eficiente dentro da matriz energética brasileira, atendendo desde quesitos de eficiência na relação custo-benefício para o consumidor até no aspecto de sustentabilidade ambiental. O Brasil tem o gás, tem a rede instalada em dezenas de cidades, frota parcialmente convertida, tem a tecnologia e a infraestrutura mínima necessária. O que falta é a decisão política de não desperdiçar o que já foi construído e de reconhecer no gás natural o que ele é: um ativo estratégico da transição energética do Brasil de hoje, não do Brasil de 2040.
Uma política bem calibrada de GNV pode, simultaneamente, reduzir o custo do frete rodoviário, baratear o transporte coletivo urbano, diminuir emissões de poluentes nas cidades, gerar empregos na cadeia de conversão e manutenção, aliviar a balança de pagamentos com menos importação de combustível, e fortalecer a posição do Brasil nas negociações climáticas internacionais, tudo com resultados reais e mensuráveis.
Não fomos pedir subsídio, e sim justiça na formação do preço, revisão das margens acumuladas por décadas, equidade tributária com os demais combustíveis, e uma política pública que trate o GNV pelo que ele é: o combustível de transição mais viável, mais limpo e mais disponível para o Brasil real - o Brasil que precisa de solução agora, não do discurso de uma transição que ainda não chegou.
O GNV emite até 25% menos CO2 que gasolina e diesel, está disponível hoje em mais de 1.700 postos, tem eficiência de 14 km/m³ de GNV contra 10 km/litro de gasolina. Em caminhões, performa 419 km/m³ de GNV contra 345 km/litro de diesel. Para se ter uma ideia do quanto o setor pesado quer o gás, o número de caminhões licenciados passou de 731 unidades em 2022 para 2.196 em 2025, um crescimento de 200%. Mas falta infraestrutura e sinal político.
O preço elevado do GNV ao consumidor final não é acidente de mercado, e sim resultado de distorção empilhadas ao longo da cadeia, todas passíveis de correção regulatória ou política.
Aguardamos, do governo federal, uma melhor avaliação deste e dos demais pleitos feitos por nós, revendedores, através da Fecombustíveis.