Um mês parada, PEC do fim da escala 6x1 enfrenta teste decisivo com Alcolumbre no Senado e eleições de 2026 parecem pautar interesse no tema
por Jamildo Melo
Publicado em 30/06/2026, às 09h34 - Atualizado às 09h45
A proposta que acaba com a escala 6x1 avançou na Câmara após acordo entre governo e parlamentares, mas ainda enfrenta resistência e discussões sobre regras de transição e impactos para empresas.
No Senado, o texto aguarda andamento sob a condução de Davi Alcolumbre, sem previsão de votação.
Enquanto isso, a pauta ganhou peso na disputa política de 2026 e divide governo, oposição, empresários e trabalhadores.
Um mês depois de a Câmara dos Deputados aprovar o fim da escala 6x1, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, promove a primeira reunião sobre o tema na quarta-feira (1º), na residência oficial, com líderes do governo.
Na avaliação dos defensores da mudança e críticos do senador, no ritmo de Alcolumbre, a proposta só vai à votação depois das eleições e apenas se Lula vencer. Se Bolsonaro ganhar, a proposta poderia até mesmo ser enterrada.
O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 se transformou em uma das principais pautas trabalhistas e políticas de 2026. Ao longo dos últimos meses, a proposta ganhou apoio do governo federal, mobilizou sindicatos, dividiu empresários, provocou divergências entre parlamentares e passou a integrar o discurso da pré-campanha eleitoral.
A proposta defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso e proibindo redução salarial. Desde o início do ano, Lula passou a tratar o tema como prioridade, argumentando que os avanços tecnológicos permitem reorganizar o trabalho e oferecer mais qualidade de vida aos trabalhadores.
No Congresso, a discussão avançou após um acordo político entre o governo e a Câmara dos Deputados. A proposta passou a prever uma transição gradual para adaptação das empresas, mantendo a remuneração dos trabalhadores. O objetivo era reduzir resistências e acelerar a tramitação.
Em Pernambuco, o tema dividiu lideranças políticas. A governadora Raquel Lyra declarou apoio à redução da jornada, enquanto o pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos afirmou que o PSB defenderia o fim da escala, mas cobrou mecanismos de compensação para pequenos negócios.
Entre os parlamentares pernambucanos, a discussão também provocou desgaste. Cinco deputados federais do Estado assinaram uma emenda que previa uma transição de dez anos para a mudança, além de exceções para setores considerados essenciais. A iniciativa gerou forte reação nas redes sociais e levou alguns parlamentares a esclarecerem que não eram contrários ao fim da escala, mas defendiam uma implementação gradual.
Do lado empresarial, o cenário também mostrou divergências. Especialistas ouvidos pelo Jamildo.com alertaram para os desafios jurídicos e operacionais da mudança, especialmente em setores como saúde, logística, segurança e varejo, caso a nova regra entre em vigor sem período de adaptação. Ao mesmo tempo, empresários relataram experiências positivas com jornadas reduzidas, apontando ganhos de produtividade, retenção de talentos e melhora no ambiente de trabalho.
Levantamentos divulgados durante a tramitação indicaram ainda que cerca de 382 mil trabalhadores pernambucanos poderiam ser beneficiados pela nova jornada, enquanto pesquisas citadas pelo site apontaram crescimento da aceitação da proposta entre pequenos empresários.
Depois da aprovação da proposta na Câmara dos Deputados, o foco passou para o Senado. Um mês após a votação, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, marcou a primeira reunião com líderes do governo para discutir o texto. Apesar da movimentação, ainda não há previsão oficial para votação em plenário, e lideranças favoráveis à mudança demonstram preocupação com um possível adiamento para depois das eleições de 2026.