Em missão na Coreia do Sul, Guilherme Coelho anuncia redução de tarifas para manga e avanço para a uva

Presidente da Abrafrutas, Guilherme Coelho, integra comitiva de Lula e negocia queda de imposto. Auditoria deve liberar entrada da uva brasileira na Ásia

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 23/02/2026, às 12h08 - Atualizado às 12h25

Guilherme Coelho está sentado em poltrona enquanto fala em microfone, uma mulher também sentada olhada para ele. Ao fundo painel com cores do Governo Federal
Guilherme Coelho está na comitiva de Lula na Coreia do Sul - Divulgação

O presidente da Abrafrutas, Guilherme Coelho, integra a missão oficial do Governo Lula em Seul para ampliar a presença das frutas brasileiras no mercado coreano.

A principal vitória é a redução da tarifa de importação da manga de 30% para 5%, incidindo sobre uma cota de 18.500 toneladas — volume que cobre o fluxo atual de exportações.

O setor de mangas busca esse novo mercado após enfrentar impasses em 2025 com o aumento das taxas de exportação nos Estados Unidos.

Para a uva, ficou definida uma auditoria fitossanitária em setembro; técnicos coreanos vistoriarão fazendas brasileiras para verificar o manejo de pragas e rastreabilidade.

A agenda faz parte de um pacote maior do agronegócio, que inclui a abertura do mercado para ovos e avanços nos protocolos para carnes bovina e suína.

Em 2025, a fruticultura brasileira faturou US$ 1,45 bilhão, um recorde puxado pela manga, mas a entrada no mercado asiático exige superar rigorosos padrões de esterilização.

O presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), Guilherme Coelho, acompanha a comitiva oficial do Governo Federal em missão comercial na Coreia do Sul.

Durante o Fórum Empresarial Brasil–Coreia, nesta segunda-feira (23), o gestor anunciou medidas para ampliar a presença da fruticultura brasileira no país.

A principal conquista para o setor seria a redução da tarifa de importação da manga brasileira, que cai de 30% para 5%. A negociação estabelece uma cota de 18.500 toneladas com menor alíquota. Esse seria o volume de exportações da fruta para região. 

Em 2023, abrimos o mercado para a manga brasileira e, em pouco mais de três anos, já conquistamos aproximadamente 18% do mercado na Coreia do Sul. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, negociou a redução para 5% ainda neste primeiro semestre”, explicou Guilherme Coelho.

Avanços para a uva e exigências sanitárias

Os produtores de uva também registraram progressos na abertura do mercado coreano. O governo da Coreia do Sul deve realizar uma auditoria fitossanitária para o mês de setembro. Esse procedimento é uma etapa obrigatória em que técnicos estrangeiros vistoriam o sistema de controle, o manejo de pragas e a rastreabilidade nas fazendas brasileiras.

A expectativa da Abrafrutas é concluir o processo de liberação ainda em 2026. Guilherme Coelho destacou que o mercado coreano é rigoroso e tem exigências elevadas, mas que os produtores brasileiros têm a capacidade técnica necessária para cumprir os critérios.

Além da uva, o Brasil tenta viabilizar a venda de melão e limão Tahiti para o país.

Pacote agro de Lula

A agenda da fruticultura integra um pacote mais amplo de negociações lideradas pelo presidente Lula em Seul.

Além das frutas, o governo brasileiro anunciou a abertura do mercado sul-coreano para a exportação de ovos e avanços nos protocolos sanitários para carnes bovina e suína. Auditores coreanos devem visitar o Brasil no terceiro trimestre para avaliar o atestado sanitário da carne bovina, um pleito que o setor aguarda há 17 anos.

Em 2025, a fruticultura brasileira atingiu um recorde ao faturar US$ 1,45 bilhão com exportações, um crescimento de 12% em valor.

A manga liderou o ranking nacional com 280 mil toneladas embarcadas para diversos destinos. Especificamente para a Coreia do Sul, o Brasil enviou 3,3 mil toneladas de frutas no último ano, uma receita de US$ 10,2 milhões. O setor de produção de mangas passou por impasses em 2025 em meio ao período de aumento das taxas de exportação dos Estados Unidos

A resistência técnica de mercados asiáticos, como Coreia do Sul e Japão, é maior por preocupações com pragas e o rigor de padrões de segurança e esterilização.